Crítica | Turma da Mônica – Laços (2019)

“Esse é um plano infalível”

Cebolinha

Nota do Filme:

Turma da Mônica – Laços acompanha a vida de quatro crianças no pequeno bairro do Limoeiro. Após Floquinho, cachorro de Cebolinha (Kevin Vechiatto) desaparecer, ele e seus amigos Cascão (Gabriel Moreira), Mônica (Giulia Benitte) e  Magali (Laura Rauseo) irão fazer de tudo para encontrá-lo.

É inegável a importância que os quadrinhos da Turma da Mônica, lançados em revistas a partir da década de 70, tiveram na vida de incontáveis brasileiros. Os personagens criados por Mauricio de Sousa representam parte da cultura do país, de modo que adaptá-los às telonas é uma tarefa não apenas difícil, mas perigosa. Felizmente, o resultado é mais do que satisfatório, capaz não apenas de atrair o público infantil como, também, relembrar aqueles que hoje são adultos o que era ser criança.

O roteiro, de Thiago Dottori – conhecido pelo bom VIPs – adapta, especificamente, a graphic novel “Laços”, escrita por Vitor e Lu Cafaggi, um conto simples sobre amizade e união. Simplicidade que, por sinal, é a chave para manter o filme coeso e direto. Daniel Rezende, em sua primeira direção de um longa metragem após Bingo – O Rei das Manhãs, preza por uma trama livre de excessivas complicações. Após uma rápida introdução de todos os protagonistas, a ação começa imediatamente, com o desaparecimento de Floquinho servindo de catalisador à história.

Tão importante quanto esses fatores, porém, é a dinâmica entre os quatro amigos, talvez o ponto mais forte da obra. Dessa forma, fica claro à audiência que, por mais que haja brigas e discussões entre eles, sua amizade possui um estranho magnetismo que os une. Tais aspectos são intensificados pela ótima Direção de Arte de Mariana Falvo e pelas escolhas do elenco. Mais que lembrar personagens tão amados, Giulia Benitte, Kevin Vechiattoe, Laura Rauseo e Gabriel Moreira são ótimos atores/atrizes mirins e possuem ótima química juntos. É impossível não se divertir com as constantes comilanças de Magali, a fobia de água de Cascão e o incessante debate entre Cebolinha e Mônica para decidir quem é o líder da Turma. Simples interações entre eles irão garantir um sorriso no rosto do espectador.

O filme, também, aproveita a oportunidade para se aprofundar em características clássicas do quarteto para além do original. Dessa forma, por mais que a constante fome de Magali, o medo de água de Cascão e o apego ao Sansão da Mônica não sejam mostradas como falhas em si mesmos, por vezes atrasam o progresso dos amigos, mostrando que podem, também, ser obstáculos que terão de ser, por vezes, superados, para que possam recuperar Floquinho. Ponto para o roteiro que conseguiu, de maneira orgânica, integrar a evolução dos personagens à narrativa. Cebolinha, por sua vez, conta com o maior desenvolvimento dentre todos. Ironicamente protagonista do longa, fica claro à audiência que deverá aprender a, efetivamente, confiar em seus amigos, abrindo mão de sua arrogância pré-estabelecida (“gênio cliando”).

Válido, ainda, mencionar a atuação também competente do elenco adulto. Rodrigo Santoro, talvez o rosto mais conhecido, rouba a cena em sua aparição como Louco, clássico personagem dos quadrinhos. Monica Iozzi, Paulo Vilhena e Fafá Rennó são alguns dos nomes que completam a equipe de atuação. Destaca-se, também, a participação mais que especial de Mauricio de Sousa em uma pequena ponta.

Tem-se, então, que Turma da Mônica – Laços é não apenas uma ótima adaptação, mas um ótimo filme. Apesar de indiscutivelmente infantil, não o é de maneira caricata, mas fofa, motivo pelo qual adultos, especialmente aqueles mais nostálgicos, também encontrarão entretenimento no cinema. Com a recepção tão favorável à obra, espera-se possíveis sequências, conforme a própria graphic novel teve. Uma ótima época para ser fã de adaptações de quadrinhos. Especialmente de quadrinhos brasileiros.