{"id":7372,"date":"2018-03-16T23:05:46","date_gmt":"2018-03-17T02:05:46","guid":{"rendered":"http:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=7372"},"modified":"2019-05-05T20:44:47","modified_gmt":"2019-05-05T23:44:47","slug":"critica-a-noiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-a-noiva\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | A Noiva (The Bride) [2017]"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">Nota do Filme:<br><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12253\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" height=\"60\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota20.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A ind\u00fastria do horror costuma ser atrativo para o amadorisma criativo generalizado. Se por uma produ\u00e7\u00e3o pequena e ambiciosa ou por uma grande e complexa, toda dire\u00e7\u00e3o e roteiro partem do princ\u00edpio de que podem contar algo novo utilizando metodologias pr\u00f3prias e inovadoras para a nova demanda. \u00c9 na tentativa de salvar o g\u00eanero de um completo afogamento em desastres que o peso e a falta de no\u00e7\u00e3o de produtos finais que chegam para a pr\u00f3xima tentativa da fila acabam pesando ainda mais em cima do que \u00e9 produzido por vi\u00e9s independente. \u00c9 com boa produ\u00e7\u00e3o e um bom elenco que <em>A Noiva<\/em>\u00a0tenta se exibir com confus\u00e3o e muitas gratuidades jogadas na tela. Para o diretor iniciante Podgaevskiy, mostrar mais e explicar menos \u00e9 saud\u00e1vel sem limita\u00e7\u00f5es. Saindo do \u00f3bvio comum de ter um filme fechado e com sentido final bem estruturado n\u00e3o parece ser um objetivo, mas soa mais como uma obriga\u00e7\u00e3o a ser evitada pelo diretor. Quando mirar nos padr\u00f5es para sustos e interpreta\u00e7\u00f5es sem adequadas motiva\u00e7\u00f5es lhe \u00e9 uma escola, ele, por outro lado, agarra sem questionamentos e joga isso em seu filme com tamanha certeza de que ficar\u00e1 bom que o transformou no que \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A abertura do longa talvez seja uma das passagens que mais conquista um p\u00fablico distante que se aproximou do audiovisual banalizado como o de&nbsp;<em>A Noiva<\/em>&nbsp;com a perspectiva do terror liter\u00e1rio bem representado. A ambienta\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XIX \u00e9 cativante, sombria e terrivelmente perturbadora s\u00f3 por ser o que \u00e9 em cena. N\u00e3o admitindo interfer\u00eancias de grandes sustos ou terr\u00edveis criaturas saindo das sombras com gritos lacerantes, essa abertura anuncia t\u00e3o bem quanto um placebo o que vem a seguir. Esse fasc\u00ednio tempor\u00e1rio que resgata um terror g\u00f3tico promove em pouco mais de dez minutos um passado instigante para toda a trama. A narrativa de fundo colabora para uma apreens\u00e3o do que acontece dentro do ritual em si, seus sacrif\u00edcios e participantes. Um golpe de mist\u00e9rio logo de cara que, n\u00e3o sendo suficiente para estar em tela a todo momento, deixa um gosto \u00f3bvio de qualidade que n\u00e3o \u00e9 resgatado mais na frente. Talvez por custeio, talvez por moderniza\u00e7\u00e3o desses padr\u00f5es do g\u00eanero que introduzem um passado, ainda que distante (como o do filme) para desenvolver um presente quase unanimemente raso e decepcionante dentro dessas tramas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-caption aligncenter\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operiodiconulo.files.wordpress.com\/2017\/11\/tb1-imdb.jpg?w=790\" alt=\"TB1 IMDb\" class=\"wp-image-1728\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>E \u00e9 com a proposta de viver de um passado que progride em uma misteriosa ritual\u00edstica de casamento que o enredo de&nbsp;<em>A Noiva<\/em>&nbsp;tenta se consolidar. O filme coloca a protagonista dentro do pequeno ambiente de uma casa no interior cercada por contradi\u00e7\u00f5es que s\u00f3 se mostram e n\u00e3o se explicam. Alguns personagens passam batidos ainda que com uma presen\u00e7a ativa dentro da maioria das cenas e uma composi\u00e7\u00e3o \u00fanica com o que a hist\u00f3ria aponta em seus contos internos. Os pais de Vanya (Vyacheslav Chepurchenko) s\u00e3o pe\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o levadas em conta para a constru\u00e7\u00e3o de um novo e sequelado personagem. E de fato, nenhum dos personagens passa a sensa\u00e7\u00e3o de lidar com algo al\u00e9m do cotidiano. A ritual\u00edstica de uma s\u00f3 tentativa, como aparenta ser, n\u00e3o levanta grandes opini\u00f5es e n\u00e3o retrata o desespero dos l\u00edderes do ritual sen\u00e3o no momento em que realmente correm o risco de falhar com seus procedimentos. \u00c9 nessa calmaria do elenco que nascem as maiores inj\u00farias de um roteiro focado em t\u00e3o sublimes quest\u00f5es de insanidade, submiss\u00e3o ao sobrenatural e resguardo familiar. Mais tarde, o grande e ambicioso elenco n\u00e3o passa de n\u00fameros e figurinistas que quase n\u00e3o se relacionam em qualquer n\u00edvel emp\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Fugindo da exce\u00e7\u00e3o da total indiferen\u00e7a com os relativos, Liza (Aleksandra Rebenok) toma talvez a maior responsabilidade da trama em representar a corda de for\u00e7a entre o amor e a quebra daquela geneal\u00f3gica maldi\u00e7\u00e3o dentro de sua fam\u00edlia. A irm\u00e3 de Vanya ocupa na segunda metade do filme um papel de m\u00e3e que surpreende dado o seu desenvolvimento at\u00e9 ent\u00e3o, mas n\u00e3o a desafoga da perca de tempo e evolu\u00e7\u00e3o de personagem omissa na primeira metade. Lidando com a responsabilidade de concluir a trama como fez, a personagem chega a conquistar mais aten\u00e7\u00e3o do que a pr\u00f3pria protagonista e seu estrelado tempo em cena. Contudo, isso n\u00e3o poupa o p\u00fablico de creditar a Liza uma boa distin\u00e7\u00e3o para todo o roteiro, que \u00e9 na verdade uma bagun\u00e7a quando lida com o pr\u00f3prio mist\u00e9rio. As&nbsp; muitas interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para a origem da Noiva s\u00e3o baseadas em igualmente variados fatores, tais como a ritual\u00edstica ou a possess\u00e3o de mulheres muito espec\u00edficas. Essas classifica\u00e7\u00f5es s\u00f3 se tornam v\u00e1lidas como argumento de cr\u00edtica por serem fundamentais para o sentido final da obra e as regras que a pr\u00f3pria imp\u00f5e em cima da narrativa. Por n\u00e3o explicar muito, e se chega perto, faz isso vagamente, o diretor tem a liberdade de manipular sentidos, cenas e desclassificar poss\u00edveis furos que mais tarde pode julgar como propositais dentro do contexto deste mesmo mist\u00e9rio. N\u00e3o se arriscando, o filme perde imensa credibilidade na sua progress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a clara distin\u00e7\u00e3o das motiva\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias dos personagens,&nbsp;<em>A Noiva&nbsp;<\/em>segue para o horror como recurso principal e \u00fanico. N\u00e3o se preocupando com qualquer grau de drama palp\u00e1vel na proximidade do casal principal ou do pr\u00f3prio noivo com a sua fam\u00edlia, os sustos, ainda que escassos, fracos e demorados, tomam todo o peso dos filmes nas costas e falham em segur\u00e1-lo. Como a criteriosa narrativa que tenta ser,&nbsp;<em>A Noiva<\/em>&nbsp;apenas falha em apresentar o pr\u00f3prio enredo na confus\u00e3o em tentar mostrar tudo. Os olhos de Nastya (Victoria Agalakova) s\u00e3o os olhos do p\u00fablico, mas eles quase sempre est\u00e3o ocupados em uma fuga ou em uma desesperada tentativa de n\u00e3o fazer absolutamente nada a partir da segunda metade da trama. Seu protagonismo n\u00e3o a poupa de sofrer, o que \u00e9 excelente para um bom argumento de um filme de horror, mas tamb\u00e9m a protege de ter uma grande repercuss\u00e3o em sua personalidade destes acontecimentos, o que \u00e9 igualmente decepcionante. Sua avalia\u00e7\u00e3o de todas as situa\u00e7\u00f5es se resume quase sempre a lutar ou fugir para lutar, e em ambos os cen\u00e1rios se concentra em manter uma express\u00e3o calma e est\u00e1vel para uma jovem que corre tamanho risco de ser morta de t\u00e3o diferentes formas.&nbsp;Comprometido de todas as dire\u00e7\u00f5es que pode ser, o roteiro se torna cada vez mais insignificante quando o mist\u00e9rio prim\u00e1rio aparenta ter uma solu\u00e7\u00e3o clara desde o princ\u00edpio, mas os personagens se mant\u00eam nessa procrastina\u00e7\u00e3o de se afirmarem importantes quando a \u00fanica coisa que ainda podia ter qualidade, a hist\u00f3ria, j\u00e1 estava \u00e0 beira do po\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image wp-caption aligncenter\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/operiodiconulo.files.wordpress.com\/2017\/11\/tb2-imdb1.jpg?w=790\" alt=\"TB2 IMDb\" class=\"wp-image-1731\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando se trata de t\u00e9cnica, o longa definitivamente alcan\u00e7a n\u00edveis surpreendentes em sua composi\u00e7\u00e3o. A fotografia consegue diferenciar bem o dia da noite e toda a atmosfera injetada nos personagens com a sua passagem. Alguns enquadramentos fazem com que as cenas em si roubem a total aten\u00e7\u00e3o, mesmo que o que se desenrole ao fundo delas tenha uma signific\u00e2ncia m\u00ednima e passageira. \u00c9 com esses compostos de luz e cor que o longa se distancia do convencional e ambiciona algo realmente belo, mas que n\u00e3o chega a ser assustador nas passagens que mais se destacam por esse quesito. Nos&nbsp;<em>flashbacks<\/em>&nbsp;vivos de Nastya para um passado sombrio da hist\u00f3ria da Noiva, se testemunha um cen\u00e1rio novo, mas dentro do que o filme mostra em sua abertura. O s\u00e9culo XIX \u00e9 bem ambientado, mesmo que com pressa, o que resgata novamente a possibilidade de uma boa qualidade perdida logo em seguida mais uma vez. \u00c9 com a promo\u00e7\u00e3o de uma boa dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica que a trama cria indescrit\u00edveis ambienta\u00e7\u00f5es que podem falar mais do que aparentam, mas n\u00e3o ganham atribui\u00e7\u00e3o alguma para terem essa responsabilidade. No fim, o cen\u00e1rio \u00e9 bonito, bem ampliado em sua fotografia e inovador, mas \u00e9 s\u00f3 um palco para um tombo de atua\u00e7\u00f5es e conflitos rasos.<\/p>\n\n\n\n<p>O longa amador consegue surpreender com maquiagens e boas caracteriza\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. O enquadramento demorado do diretor em algumas situa\u00e7\u00f5es cria um inc\u00f4modo natural, quase uma assinatura de trabalho, do que aparenta ser a vertigem de um bom horror, o que cria uma excelente deixa para ser desenvolvida mais tarde. Esses enquadramentos se repetem e geram uma expectativa horripilante para as primeiras cenas com&nbsp;o esp\u00edrito atormentado no presente. E na tentativa de se igualar, novamente se perde quando abandona o recurso por uma promo\u00e7\u00e3o na falha hist\u00f3ria. \u00c9 com buracos e trope\u00e7os inconceb\u00edveis que a trama mergulha em uma conclus\u00e3o confusa e que gera pouca expectativa para o que realmente aconteceu ao seu final. Todo o fechamento da obra \u00fanica, ainda que previs\u00edvel, continua a guardar respostas com tamanha irresponsabilidade que s\u00f3 confirma a m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o inteira do que aconteceu na trama. Longe de ser uma boa pe\u00e7a do distante horror russo,&nbsp;<em>A Noiva<\/em>&nbsp;s\u00f3 \u00e9 mais um peda\u00e7o sucateado da explos\u00e3o da amedrontada mar\u00e9 moderna do g\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria do horror costuma ser atrativo para o amadorisma criativo generalizado. 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