{"id":32779,"date":"2024-09-30T13:07:38","date_gmt":"2024-09-30T16:07:38","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=32779"},"modified":"2024-11-29T00:14:25","modified_gmt":"2024-11-29T03:14:25","slug":"o-babadook-um-estudo-sobre-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/o-babadook-um-estudo-sobre-depressao\/","title":{"rendered":"O Babadook \u2013 Um Estudo Sobre Depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Babadook<\/em> \u00e9 o primeiro longa metragem<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> da escritora\/diretora australiana Jennifer Kent, lan\u00e7ado em 2014. Com foco em um pequeno n\u00facleo familiar, ele acompanhamos a decad\u00eancia mental de Amelia (Essie Davis), enquanto deve lidar com Samuel (Noah Wiseman), seu filho hiperativa, ao mesmo tempo em que tenta superar a morte de seu marido, ocorrida a quase seis anos. Contudo, ao interagir com um livro aparentemente inofensivo, ambos se veem assombrados por uma criatura que se esgueira pela casa e amea\u00e7a as suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma narrativa que a princ\u00edpio parece simples, revela-se complexa \u00e0 medida em que passamos a analisar o roteiro com mais aten\u00e7\u00e3o. Todo o texto contido no livro <em>Mister Babadook<\/em>, objeto esse que, \u00e0 primeira vista, era apenas um meio para se introduzir o monstro na hist\u00f3ria, \u00e9 permeado por nuances e cont\u00e9m fortes alegorias a transtornos psicol\u00f3gicos, em especial transtorno depressivo maior, mais conhecido como <strong>depress\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o presente texto busca analisar a narrativa como um todo, abordar as principais met\u00e1foras e dissecar a trama em detalhes para descrever o modo como ela dialoga com esta doen\u00e7a t\u00e3o perigosa. Portanto, deste ponto em diante, poder\u00e1 haver <strong><em>spoilers<\/em><\/strong> no texto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>2. O Terror como G\u00eanero<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de partimos para uma an\u00e1lise de <em>O Babadook<\/em>, \u00e9 importante expor o porqu\u00ea acredita-se que o terror seja, talvez, o melhor g\u00eanero para a dif\u00edcil tarefa de representar um t\u00f3pico t\u00e3o sens\u00edvel quanto este. Faz-se, ent\u00e3o, uma curta an\u00e1lise do g\u00eanero e suas origens.<\/p>\n\n\n\n<p>O terror sempre atraiu bastante aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas no cinema como em todo meio de arte. Sua origem, ao menos documentada, pode ser rastreada at\u00e9 a Gr\u00e9cia antiga por interm\u00e9dio de seu folclore local que, inclusive, ajudaria a sedimentar mitos europeus na posteridade, como <em>Frankenstein<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, o g\u00eanero n\u00e3o deixa de evoluir. No s\u00e9culo XVIII, <em>O Castelo de Otranto<\/em>, do escritor Horace Walpole, \u00e9 tido como o primeiro romance da chamada literatura g\u00f3tica. Jamais deixado de lado, foi trabalhado por grandes nomes da escrita como Edgar Allan Poe, Mary Shelley e H. P. Lovecraft.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"600\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/o-castelo-de-otranto.jpg?resize=600%2C600&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32783\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O g\u00eanero brinca com emo\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas ao ser humano, sendo a catarse que produz algo de extrema import\u00e2ncia. O bater mais r\u00e1pido do cora\u00e7\u00e3o e o acelerar da nossa respira\u00e7\u00e3o nos remetem a tempos mais perigosos e nos ajudam a manter uma saud\u00e1vel cautela em nossa vida. O medo como instinto \u00e9 n\u00e3o apenas \u00fatil, mas necess\u00e1rio. Nas palavras de H.P. Lovecraft:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cA emo\u00e7\u00e3o mais antiga e mais forte da humanidade \u00e9 o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos \u00e9 o medo do desconhecido.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Avancemos alguns anos no tempo e a sua popularidade jamais desapareceu, com novas hist\u00f3rias sendo trazidas de forma constante. Fato \u00e9 que ele se mostra, desde sempre, um \u00f3timo condutor para narrativas, sobretudo pela sua capacidade de transmitir ao destinat\u00e1rio, seja leitor, seja espectador, cr\u00edticas sociais e complexos problemas de conviv\u00eancia, muitas vezes por meio de uma interpreta\u00e7\u00e3o mais metaf\u00f3rica e menos direta.<\/p>\n\n\n\n<p>O expressionismo alem\u00e3o, movimento art\u00edstico com auge na d\u00e9cada de 20, foi respons\u00e1vel por grandes cl\u00e1ssicos do terror que levantaram \u2013 e levantam \u2013 importantes quest\u00f5es. <em>O Gabinete do Dr. Caligari<\/em>, de Robert Wiene, \u00e9 visto por Siegfried Kracauer<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> como um prel\u00fadio \u00e0 ascens\u00e3o de Hitler no pa\u00eds. <em>Metr\u00f3polis<\/em>, de Fritz Lang, baseado no \u00f3timo trabalho de sua esposa, Thea von Harbou, aborda interessantes quest\u00f5es de classes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"530\" height=\"374\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/o-gabinete-do-dr-caligari.jpg?resize=530%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32782\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em 1968, George Romero nos traz <em>A Noite dos Mortos Vivos<\/em>, por meio do qual exp\u00f5e a problem\u00e1tica racial nos Estados Unidos. No mesmo ano, <em>O Beb\u00ea de Rosemary<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\"><sup><strong><sup>[3]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/em> aborda quest\u00f5es referentes \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o feminina em uma \u00e9poca na qual a p\u00edlula anticoncepcional ainda era uma inven\u00e7\u00e3o recente. H\u00e1, assim, quase que uma apropria\u00e7\u00e3o do g\u00eanero pelos movimentos sociais da \u00e9poca, que o utilizaram como um espelho \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O g\u00eanero permanece dessa forma at\u00e9 hoje, uma vez que muitos dos \u201cqueridinhos\u201d da atualidade, como Jordan Peele \u2013 <em>Corra!<\/em> e <em>N\u00f3s <\/em>\u2013, Ari Aster \u2013 <em>Heredit\u00e1rio<\/em> e <em>Midsommar: O Mal N\u00e3o Espera a Noite<\/em> \u2013 e Robert Eggers \u2013 <em>A Bruxa<\/em> e <em>O Farol<\/em> \u2013 utilizam-se de seus filmes como meios para realizarem coment\u00e1rios sociais. Contudo, conforme descrito acima, esta n\u00e3o \u00e9 uma inova\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, esta \u00e9 a regra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese a populariza\u00e7\u00e3o do termo <em>p\u00f3s-terror<\/em>, cunhado pelo jornalista americano Steve Rose em um <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/film\/2017\/jul\/06\/post-horror-films-scary-movies-ghost-story-it-comes-at-night\">artigo<\/a> publicado pelo ve\u00edculo <em>The Guardian<\/em>, a segrega\u00e7\u00e3o do g\u00eanero n\u00e3o poderia estar mais equivocada. As novas hist\u00f3rias de modo algum renegam as suas influ\u00eancias do g\u00eanero, pelo contr\u00e1rio, uma vez que tem\u00e1ticas sociais est\u00e3o intrinsecamente ligadas ao nascimento do terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9, tamb\u00e9m, o caso de <em>O Babadook <\/em>, por meio de sua clara influ\u00eancia do expressionismo alem\u00e3o, bem como de cineastas cl\u00e1ssicos como Georges M\u00e9li\u00e8s e Segundo de Chom\u00f3n. Portanto, o g\u00eanero se mostra n\u00e3o apenas apropriado \u00e0 tem\u00e1tica, mas quase necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>3. Letargia, solid\u00e3o e conflito<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um tanto quanto complicado trazer debates \u00e0 tona sobre uma doen\u00e7a como a depress\u00e3o, justamente pela aus\u00eancia de indicativos f\u00edsicos. Dessa forma, sintomas passam facilmente despercebidos aos mais desatentos, que podem sequer perceber estarem doentes ou, ainda, que aqueles pr\u00f3ximos a eles estejam.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, logo no in\u00edcio, a diretora busca imergir o espectador na letargia e solid\u00e3o que \u00e9 a vida da protagonista, trazendo-o para o universo de Amelia. Antes da subida do t\u00edtulo, h\u00e1 um pequeno pr\u00f3logo que exemplifica os principais aspectos de sua vida: (i) a mem\u00f3ria do acidente que vitimou o seu marido \u2013 apesar da audi\u00eancia ainda n\u00e3o saber o que ocorreu de fato \u2013 o qual, claramente, ainda n\u00e3o superou; (ii) a leitura de um livro infantil, que ressalta a afei\u00e7\u00e3o de Samuel por hist\u00f3rias de monstros e; (iii)a sufocante rela\u00e7\u00e3o que tem com o filho, tendo em vista que a vemos se encolher na pr\u00f3pria cama para fugir de seus avan\u00e7os que, dormindo, tenta abra\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-1.png?resize=790%2C337&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32785\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-1.png?w=1918&amp;ssl=1 1918w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-1.png?resize=768%2C328&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-1.png?resize=1536%2C656&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio, Kent nos apresenta a sua protagonista em uma posi\u00e7\u00e3o na qual, por mais que esteja efetivamente acompanhada, permanece com uma sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o. Ao mesmo tempo, a diretora se utiliza de conflitos criados por meio da narrativa para refor\u00e7ar o distanciamento da personagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns confrontos s\u00e3o trazidos de modo a demonstrar sua inaptid\u00e3o para lidar com simples quest\u00f5es do dia-a-dia. Primeiramente, evita qualquer discuss\u00e3o junto \u00e0 escola de seu filho que, ap\u00f3s levar uma arma caseira \u00e0 sala de aula, \u00e9 suspenso. Ela n\u00e3o se prop\u00f5e a debater medidas alternativas junto aos educadores, ao contr\u00e1rio, apenas informa que ir\u00e1 retirar o seu filho da escola.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo a ser dito, \u00e9 claro, acerca do tratamento de certos col\u00e9gios aos seus alunos, vendo-os apenas como meios para um fim. Contudo, por mais que a cena em si seja r\u00e1pida, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o entender a perspectiva dos educadores, afinal \u00e9 ineg\u00e1vel que Sam levou, a um ambiente de ensino repleto de crian\u00e7as, uma arma que, ainda que caseira e rudimentar, poderia ferir gravemente tanto a si pr\u00f3prio quanto a seus colegas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-3.png?resize=790%2C337&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32787\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-3.png?w=1919&amp;ssl=1 1919w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-3.png?resize=768%2C327&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-3.png?resize=1536%2C655&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico momento no qual Amelia foge de situa\u00e7\u00f5es de confronto, de modo que ela se torna o denominador comum das ocorr\u00eancias. Pequenos momentos, como o acidente de tr\u00e2nsito no qual se envolve e imediatamente foge, retratam a sua inabillidade para lidar com conflitos. Todavia, em nenhuma rela\u00e7\u00e3o essa quest\u00e3o \u00e9 mais explicitada do que no seu relacionamento com a sua irm\u00e3, Claire (Hayley McElhinney).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 f\u00e1cil notar que em qualquer di\u00e1logo entre as duas a protagonista fica retra\u00edda, quase em uma posi\u00e7\u00e3o inferior, bem como raramente se imp\u00f5e. Dessa forma, acaba por acatar decis\u00f5es com as quais n\u00e3o se mostra confort\u00e1vel, como a altera\u00e7\u00e3o da festa conjunta de seus filhos. Quando reage, deixa evidente a sua incapacidade de superar o trauma da morte do seu marido, o que refor\u00e7a outra de suas incapacidades: conciliar-se com a morte do marido, em especial considerando ter ocorrido no mesmo dia de nascimento do seu filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Indagada se conseguiu seguir em frente ap\u00f3s o acidente, diz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cEu segui em frente. N\u00e3o menciono ele, n\u00e3o falo dele.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desnecess\u00e1rio dizer que essas n\u00e3o s\u00e3o as atitudes de algu\u00e9m que superou uma trag\u00e9dia. De algu\u00e9m que seguiu em frente. O trauma da personagem molda a sua vida, sendo o evento catalisador de sua doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>4. Mister Babadook<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s Sam pedir para sua m\u00e3e ler o livro <em><span style=\"text-decoration: underline;\">Mister Babadook <\/span><\/em>antes de ele dormir, somos introduzidos ao personagem t\u00edtulo. Trata-se de um livro interativo, no qual imagens saltam das p\u00e1ginas \u00e0 medida que o leitor interage com as \u201calavancas\u201d. A princ\u00edpio inofensivo, \u00e0 medida que a narrativa se desenvolve conseguimos perceber as n\u00edtidas camadas ali dispostas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1440\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?fit=2560%2C1440&amp;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32789\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/babadook-1-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Isto porque o duplo sentido das frases escritas acaba revelando-o quase como um diagn\u00f3stico da doen\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>&#8220;Se est\u00e1 em uma palavra, ou est\u00e1 em um olhar&#8230;n\u00e3o pode se livrar do Babadook.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 cura propriamente dita, apenas tratamentos, de modo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cse livrar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>&#8220;Olhe pra ele em seu quarto de noite&#8230;e n\u00e3o poder\u00e1 pregar um olho.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A ins\u00f4nia, como demonstram alguns <a href=\"https:\/\/www.medley.com.br\/podecontar\/quero-ajudar\/correlacao-depressao-insonia\">estudos recentes<\/a>, pode ser um sintoma de transtorno depressivo ou, ainda, um prel\u00fadio. No decorrer da hist\u00f3ria, vemos por diversas vezes Amelia lidar com o dist\u00farbio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cE quando voc\u00ea ver o que est\u00e1 embaixo\u2026 vai desejar estar morto.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma forte correla\u00e7\u00e3o entre o suic\u00eddio e a depress\u00e3o. Por mais que n\u00e3o necessariamente caminhem juntos, estudos demonstram que a doen\u00e7a \u00e9 uma das <a href=\"http:\/\/www.ebserh.gov.br\/noticias\/201909241555-depressao-uma-das-principais-causas-de-suicidio-aponta-entidade-internacional\">principais causas para o suic\u00eddio<\/a>, de modo que as palavras do monstro servem como um perigoso press\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s rasgar o livro e jog\u00e1-lo fora demonstrando, novamente, a falta de habilidade da protagonista para lidar com qualquer conflito e\/ou rela\u00e7\u00e3o estressante, Amelia o reencontra na sacada da porta de sua casa, com algumas altera\u00e7\u00f5es. Agora, a personagem toma o lugar da crian\u00e7a no livro e as mensagens se tornam mais enf\u00e1ticas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>&nbsp;&#8220;Apostarei contigo&#8230;te farei uma aposta. Quanto mais voc\u00ea nega&#8230;mais forte eu fico.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"438\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/the-babadook-is-created-by-denial-1666386820.jpg?resize=780%2C438&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32790\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/the-babadook-is-created-by-denial-1666386820.jpg?w=780&amp;ssl=1 780w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/the-babadook-is-created-by-denial-1666386820.jpg?resize=768%2C431&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A nega\u00e7\u00e3o por parte das pessoas acerca da depress\u00e3o \u00e9 um problema em si mesmo. Seja pelo medo de sofrer com o estigma social da doen\u00e7a, seja pela pr\u00f3pria pessoa considerar a condi\u00e7\u00e3o como uma fraqueza, fato \u00e9 que, ao negar o problema, o ac\u00famulo acaba por piorar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cMe deixe entrar!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cVoc\u00ea come\u00e7a a mudar quando eu entro.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cO Babadook&nbsp; vai crescendo bem debaixo da sua pele\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, Kent tra\u00e7a um paralelo entre a doen\u00e7a e possess\u00e3o, ocorr\u00eancia muito comum no terror, com algumas diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Isto porque, considerando que o monstro realmente existe, a doen\u00e7a de Amelia a deixa fraca o bastante a ponto de ser tomada por ele, o que seria uma possess\u00e3o de fato. Outra, um pouco mais sutil, \u00e9 como ter depress\u00e3o pode transformar o doente em uma diferente vers\u00e3o de si mesmo(a), sendo, basicamente, uma possess\u00e3o metaf\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, antes de queimar o livro, encontra imagens violentas cometidas por ela contra seu cachorro, filho e eventual suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>5. A (tentativa de) busca por ajuda<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes problemas que envolvem a depress\u00e3o \u00e9 a dificuldade do doente em buscar ajuda m\u00e9dica. N\u00e3o apenas por ser uma doen\u00e7a de dif\u00edcil identifica\u00e7\u00e3o mas, principalmente, por haver um tabu muito forte acerca do tema. H\u00e1 um estigma, como se estar sujeito \u00e0 esta doen\u00e7a fosse uma demonstra\u00e7\u00e3o de fraqueza ou at\u00e9 mesmo frescura. Ao mesmo tempo, reconhec\u00ea-la \u00e9 quase imprescind\u00edvel na recupera\u00e7\u00e3o do doente, de modo que existe uma rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre os estes dois fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>O Babadook<\/em>, Jennifer Kent aborda a problem\u00e1tica em duas situa\u00e7\u00f5es distintas, uma logo ap\u00f3s a outra: quando Amelia entra em contato com sua irm\u00e3 e avisa que acha que est\u00e1 sendo seguida e, posteriormente, quando se dirige \u00e0 delegacia de pol\u00edcia para reportar o fato \u00e0s autoridades. Em decorr\u00eancia das a\u00e7\u00f5es da personagem, h\u00e1 tanto uma resposta das pessoas para se quem pede ajuda como, tamb\u00e9m, uma consequ\u00eancia exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso, sua irm\u00e3 rapidamente deprecia a sua s\u00faplica, dando pouca import\u00e2ncia ao relato e apenas diz que, caso se sinta amea\u00e7ada, que deveria procurar a pol\u00edcia. Aqui, importante ressaltar que, evidentemente, \u00e9 imposs\u00edvel \u00e0 Claire realizar qualquer a\u00e7\u00e3o efetiva para tentar impedir um poss\u00edvel ass\u00e9dio \u00e0 protagonista. Ela simplesmente n\u00e3o tem os meios f\u00edsicos para proceder com uma investiga\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo para fazer com que o poss\u00edvel infrator cesse com as suas a\u00e7\u00f5es. Amelia e a audi\u00eancia t\u00eam plena no\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o modo como a cena \u00e9 constru\u00edda deixa evidente que a inten\u00e7\u00e3o da personagem jamais foi que Claire tomasse a linha de frente em sua prote\u00e7\u00e3o contra esse suposto agressor. Era meramente ser ouvida, sentir-se escutada e amparada por sua irm\u00e3, possivelmente que ela se oferecesse a acompanh\u00e1-la \u00e0 delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da liga\u00e7\u00e3o, a primeira consequ\u00eancia ao pedido de ajuda: Amelia recebe uma chamada n\u00e3o identificada, na qual o respons\u00e1vel apenas diz, em tom amea\u00e7ador:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cBa, ba&#8230;dook&#8230;dook&#8230;dook!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, Kent desenha uma rela\u00e7\u00e3o entre as a\u00e7\u00f5es da protagonista e o contato do monstro, o primeiro sem ser por meio de seu livro: o pedido de ajuda tem consequ\u00eancias negativas ao doente, de modo que a amea\u00e7a do monstro funciona como um paralelo ao estigma imposto pela sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente ap\u00f3s o contato, Amelia se dirige \u00e0 delegacia para buscar aux\u00edlio das autoridades. A dificuldade da pol\u00edcia em enxergar qualquer m\u00e9rito no alegado por ela espelha, novamente, a descren\u00e7a que aqueles com a doen\u00e7a enfrentam ao tentar encontrar ajuda. Ainda, a protagonista \u00e9 novamente punida ao ver, pela primeira vez, a manifesta\u00e7\u00e3o f\u00edsica do monstro, disfar\u00e7ado junto a um cabideiro:<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-4.png?resize=790%2C337&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32791\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-4.png?w=1918&amp;ssl=1 1918w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-4.png?resize=768%2C327&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-4.png?resize=1536%2C654&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Sobre a cena, importante destacar que h\u00e1 todo um subtexto relativo \u00e0 dificuldades que mulheres passam para relatar qualquer tipo de viol\u00eancia \u00e0 pol\u00edcia, com o riso do policial ao fundo servindo de clara demonstra\u00e7\u00e3o sobre o modo como muitos n\u00e3o s\u00e3o receptivos \u00e0s alega\u00e7\u00f5es femininas.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredita-se que o principal objetivo de <em>O Babadook<\/em> seja, de fato, realizar uma an\u00e1lise da depress\u00e3o por meio de met\u00e1foras cl\u00e1ssicas ao g\u00eanero do terror. Contudo, isso n\u00e3o impede Kent de abordar outras tem\u00e1ticas relevantes, especialmente ao sexo feminino como um todo, ainda que pontualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>6. Est\u00e9tica e or\u00e7amento<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Babadook<\/em> foi o primeiro longa metragem de Jennifer Kent, cujos \u00fanicos trabalhos anteriores na cadeira de dire\u00e7\u00e3o foram um curta intitulado <em>Monster<\/em><a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, lan\u00e7ado em 2005, bem como um epis\u00f3dio da s\u00e9rie australiana <em>Nada \u00e9 o que Parece<\/em>, em 2006. Dessa forma, \u00e9 justo dizer que o seu nome ainda n\u00e3o era conhecido no meio, ao menos n\u00e3o de modo a justificar fortes investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que o or\u00e7amento do filme foi de apenas US$ 2.000.000,00 (dois milh\u00f5es de d\u00f3lares), quantia essa relativamente pequena para uma empreitada do g\u00eanero. Apenas a t\u00edtulo exemplificativo, destaca-se que o or\u00e7amento estimado de <em>Corra!<\/em>, <em>Heredit\u00e1rio<\/em> e <em>A Bruxa<\/em>, citados no decorrer do texto foi de, respectivamente, US$ 4.500.000,00 (quatro milh\u00f5es e quinhentos mil d\u00f3lares), US$ 10.000.000,00 (dez milh\u00f5es de d\u00f3lares) e US$ 4.000.000,00 (quatro milh\u00f5es de d\u00f3lares).<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de capacidade financeira, todavia, n\u00e3o serve de empecilho \u00e0 narrativa, pelo contr\u00e1rio. Kent aproveita para integrar o pequeno or\u00e7amento ao texto, dando-lhe significado \u00e0 hist\u00f3ria. Isto \u00e9, menos loca\u00e7\u00f5es s\u00e3o utilizadas, refor\u00e7ando o senso de isolamento da protagonista, praticamente confinada \u00e0 sua pr\u00f3pria casa refletindo, ent\u00e3o, o terror que vem de dentro t\u00e3o caracter\u00edstico da d\u00e9cada de 60 nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a deteriora\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia acaba por servir de paralelo ao estado mental debilitado de Amelia, sobretudo pela sua relut\u00e2ncia em lidar com a sua doen\u00e7a, pior, sequer aceit\u00e1-la como real.<\/p>\n\n\n\n<p>O or\u00e7amento, tamb\u00e9m, for\u00e7a a est\u00e9tica do filme a algo quase desprovido de efeitos especiais, de modo que se sustenta com um inteligente uso de sombras e efeitos pr\u00e1ticos que conferem \u00e0 obra um qu\u00ea de expressionismo alem\u00e3o. Ainda, a diretora se v\u00ea for\u00e7ada a criar composi\u00e7\u00f5es de c\u00e2mera inusitadas e criativas que, de outra maneira, poderiam sequer ser consideradas \u2013 destaca-se, em especial, a invers\u00e3o de pontos de vista que ocorre no cl\u00edmax da hist\u00f3ria \u2013, afinal, a necessidade \u00e9 a m\u00e3e da inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>7. A televis\u00e3o como elemento narrativo<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme j\u00e1 apontado em t\u00f3picos anteriores, no filme, a diretora se utiliza da ins\u00f4nia da protagonista como meio de destacar a progress\u00e3o de sua doen\u00e7a. Dessa forma, Amelia se v\u00ea quase for\u00e7ada a assistir televis\u00e3o de modo a lidar com a falta de sono. Aproveitando a oportunidade, Kent se utiliza do conte\u00fado da televis\u00e3o de modo a nos fornecer mais acesso ao estado de esp\u00edrito da personagem, sempre de modo a refor\u00e7ar as muitas tem\u00e1ticas narrativa de <em>O Babadook<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas momentos espec\u00edficos dignos de destaque nos quais o foco da cena permanece em Amelia, mais trabalhados abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>7.1 Frustra\u00e7\u00e3o sexual<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Novamente focando em problemas adjacentes da tem\u00e1tica feminina, Kent se utiliza da premissa d\u2019<em>O Babadook<\/em> para abordar a frustra\u00e7\u00e3o sexual de sua protagonista. Amelia perdeu o marido h\u00e1 quase seis anos e, ao menos pelo que se percebe em tela, n\u00e3o teve novos parceiros desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira utiliza\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o como elemento narrativo do filme se d\u00e1 logo ap\u00f3s a personagem encontrar, e ler, a hist\u00f3ria a seu filho. Aqui, tudo remete a sexo: a propaganda hipersexualizada de um tablete de chocolate; a oferta de disk sexo e; um beijo apaixonado em um romance cl\u00e1ssico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"335\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-6.png?resize=790%2C335&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32793\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-6.png?w=1919&amp;ssl=1 1919w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-6.png?resize=768%2C325&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-6.png?resize=1536%2C651&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Por meio deste pequeno elemento narrativo, a diretora consegue passar \u00e0 audi\u00eancia a frustra\u00e7\u00e3o sexual da personagem, refor\u00e7ando-a no decorrer do longa. Logo ap\u00f3s a cena da TV, por exemplo, tenta se satisfazer sozinha quando acaba por ser interrompida pelo seu filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tra\u00e7a-se, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o entre a sua insatisfa\u00e7\u00e3o sexual e a sua condi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e. Este entendimento \u00e9, inclusive, refor\u00e7ado mais adiante, quando acaba por espiar um casal em um carro no shopping \u2013 sem Sam \u2013 ou, ainda, quando seu filho, inadvertidamente, interrompe o contato de sua m\u00e3e com seu colega de trabalho, at\u00e9 aquele momento um poss\u00edvel parceiro sexual \u2013 com Sam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>7.2 Sonhos e refer\u00eancias<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda sequ\u00eancia utilizando a TV como instrumento narrativo, Kent, primeiramente, nos provoca com outra cena rom\u00e2ntica apenas para, logo ap\u00f3s, subverter nossas expectativas com uma constru\u00e7\u00e3o um tanto quanto diferente do que esper\u00e1vamos. Agora, o foco n\u00e3o \u00e9 no sexo \u2013 ou falta de \u2013, mas sim em elementos de sonhos e referenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste momento, a ins\u00f4nia de Amelia, como fator relevante da hist\u00f3ria, passa a se desenvolver, tudo por meio dos programas transmitidos pela televis\u00e3o. Em tela, imagens que remetem ao on\u00edrico, acompanhadas por uma trilha sonora que quase \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de ninar. H\u00e1 um misto de realidade e fic\u00e7\u00e3o que representa a dificuldade da personagem em distinguir os aspectos da sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco, por\u00e9m, fica na refer\u00eancia \u00e0 obra <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MG-7j8StaBA\"><em>La Maison Ensorcel\u00e9e<\/em><\/a>, do diretor Segundo de Chom\u00f3n, uma das primeiras incurs\u00f5es cinematogr\u00e1ficas na premissa de casa assombrada, e na recria\u00e7\u00e3o do filme <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7UqNjOlXraA\"><em>Le Livre Magique<\/em><\/a> , de 1900, do grande Georges M\u00e9li\u00e8s. Na hist\u00f3ria, o protagonista traz, em um cavalete, um grande livro do qual consegue \u201cretirar\u201d personagens e, eventualmente, devolv\u00ea-los ao livro. Aqui, por\u00e9m, o personagem do livro \u00e9 substitu\u00eddo pelo pr\u00f3prio Babadook, o que funciona de forma metalingu\u00edstica aos eventos do longa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"335\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-8.png?resize=790%2C335&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32795\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-8.png?w=1918&amp;ssl=1 1918w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-8.png?resize=768%2C326&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-8.png?resize=1536%2C652&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>7.3 A depress\u00e3o como possess\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima sequ\u00eancia conta com a maior quantidade de informa\u00e7\u00f5es. Primeiramente, vemos um trecho de um desenho animado, direcionado a Sam, no qual um lobo se veste em pelo de cordeiro. H\u00e1 um qu\u00ea de conto de fadas na cena, o que nos remete \u00e0 primeira hist\u00f3ria contada por Amelia a seu filho, no in\u00edcio do filme. Uma lembran\u00e7a de que, por mais que tenhamos convencionado hist\u00f3rias do g\u00eanero como saud\u00e1veis \u00e0 crian\u00e7as, n\u00e3o deixam de conter a sua quota parte de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o ato do predador de se travestir de presa deixa claro o t\u00edtulo deste subt\u00f3pico: a tratativa da doen\u00e7a como uma esp\u00e9cie de possess\u00e3o ao doente. A cena se desenvolve nesse sentido, pois logo ap\u00f3s a protagonista assiste a uma reportagem sobre um infantic\u00eddio, apenas para ver a sua imagem televis\u00e3o, como uma esp\u00e9cie de assombra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa a cena precede \u00e0 suposta possess\u00e3o da protagonista<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"337\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-11.png?resize=790%2C337&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32798\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-11.png?w=1916&amp;ssl=1 1916w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-11.png?resize=768%2C328&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-11.png?resize=1536%2C656&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>De tal maneira, a diretora refor\u00e7a a met\u00e1fora referente \u00e0 doen\u00e7a funcionar como uma esp\u00e9cie de possess\u00e3o, subvertendo a personagem e exercendo dom\u00ednio sobre a sua pr\u00f3pria vontade, fazendo com que cometa atos que, em condi\u00e7\u00f5es normais, n\u00e3o cometeria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>8. Possibilidades de encerramento<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de manter um brilhantismo quase que constante nos seus 94 minutos de dura\u00e7\u00e3o, muitas pessoas que assistiram a\u2019<em>O Babadook<\/em> parecem ter um problema espec\u00edfico com o seu encerramento. Alguns entendem que o final \u00e9 abrupto, outros o v\u00eaem como sendo pouco s\u00e9rio. Contudo, por mais que, certamente, possa haver diverg\u00eancias de opini\u00e3o acerca do tema, considerando que a quest\u00e3o metaf\u00f3rica permeia a narrativa, entendemos como justo tamb\u00e9m aplic\u00e1-la ao seu t\u00e9rmino, o que acrescenta mais camadas \u00e0s cenas finais.<\/p>\n\n\n\n<p>De toda forma, primeiro \u00e9 curioso notar como h\u00e1, pelos menos, tr\u00eas outros momentos nos quais a hist\u00f3ria poderia ter sido encerrada sem maiores preju\u00edzos \u00e0 narrativa. \u00c9 claro, algumas pequenas adapta\u00e7\u00f5es teriam que ser feitas, mas s\u00e3o facilmente realiz\u00e1veis e n\u00e3o comprometeriam a estrutura do roteiro, ao menos superficialmente. Contudo, a mensagem da hist\u00f3ria, a tem\u00e1tica abordada por <em>O Babadook<\/em> perderia nuances importantes que dependem, justamente, do final que teve.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>8.1 \u201cPrimeiro final\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira possibilidade nos apresenta a vit\u00f3ria sobre o monstro por meio de um est\u00edmulo externo. No caso, ap\u00f3s a \u201cpossess\u00e3o\u201d de Amelia, a Sra. Roach, sua vizinha, bate \u00e0 sua porta e conversa com a protagonista:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>&nbsp;\u201cEu sei que essa \u00e9poca do ano \u00e9 muito dif\u00edcil para voc\u00ea. E eu sei que voc\u00ea n\u00e3o gosta que eu fale sobre isso, ent\u00e3o n\u00e3o irei. Eu s\u00f3 queria que voc\u00ea soubesse que eu faria qualquer coisa por voc\u00ea e o Sam. Eu amo voc\u00eas dois.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, h\u00e1 a possibilidade de se encerrar a hist\u00f3ria. O est\u00edmulo externo dado pela sua vizinha poderia for\u00e7ar a personagem a se livrar de sua possess\u00e3o ou, em termos interpretativos, perceber que precisava buscar ajuda para tratar de seu estado mental. H\u00e1, por\u00e9m, alguns fatores que fazem com que a escolha esteja longe de ser a melhor op\u00e7\u00e3o: a \u201cfacilidade\u201d com que surge e a utiliza\u00e7\u00e3o de um personagem estranho ao n\u00facleo familiar como solu\u00e7\u00e3o do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque, por mais que a personagem da Sra. Roach seja extremamente carism\u00e1tica \u2013 fruto de um \u00f3timo trabalho por parte de sua int\u00e9rprete Barbara West que confere uma forte autenticidade ao papel \u2013, fato \u00e9 que possui pouco tempo de tela. Ainda, a doen\u00e7a de Amelia est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 sua maternidade, motivo pelo qual a sua solu\u00e7\u00e3o deve, necessariamente, passar pela sua rela\u00e7\u00e3o com seu filho para que haja a catarse devida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>8.2 \u201cSegundo final\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo adiante, ocorre o embate entre Samuel e sua m\u00e3e, que termina com Amelia amarrada no por\u00e3o. A crian\u00e7a tenta, ent\u00e3o, recuperar a sua m\u00e3e, em um di\u00e1logo semelhante ao da Sra. Roach, por\u00e9m mais impactante justamente em decorr\u00eancia da conex\u00e3o emocional entre os dois personagens:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cEu sei que voc\u00ea n\u00e3o me ama. O Babadook n\u00e3o te deixa. Mas eu amo voc\u00ea, m\u00e3e. E sempre amarei.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim como no subt\u00f3pico acima, h\u00e1 um est\u00edmulo externo \u2013 bem mais poderoso \u2013 que, com poucos acr\u00e9scimos, poderia tamb\u00e9m encerrar o filme. Nessa op\u00e7\u00e3o h\u00e1 catarse na rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/filho, mas a protagonista continua passiva na solu\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios conflitos internos, o que vai de encontro \u00e0 tem\u00e1tica do longa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>8.3 \u201cTerceiro final\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira possibilidade, Amelia \u00e9 for\u00e7ada a ser mais assertiva. Ap\u00f3s \u201cexpelir\u201d o Babadook, o monstro permanece na casa, rapta Sam e o levando ao seu quarto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tentar recuperar o filho, levado ao quarto pelo monstro, a protagonista finalmente encara o trauma de frente. Ela testemunha novamente a morte do marido, tema que evita desde o come\u00e7o do filme e, quando v\u00ea Sam ser amea\u00e7ado pelo Babadook, consegue efetivamente enfrent\u00e1-lo, demonstrando n\u00e3o mais fugir de conflitos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 invadindo a minha casa! Se tocar no meu filho de novo eu te mato\u201d<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"330\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-12.png?resize=790%2C330&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32799\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-12.png?w=1917&amp;ssl=1 1917w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-12.png?resize=768%2C321&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-12.png?resize=1536%2C642&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Pela primeira vez no decorrer do longa ocorre uma troca no ponto de vista da c\u00e2mera. Ap\u00f3s o embate, a diretora nos transporta para os olhos do monstro, primeiro de forma a tentar afirmar o seu dom\u00ednio, mas ao fracassar, apenas foge, o que demonstra a altera\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica de poder da cena e, por extens\u00e3o, justifica a troca de perspectiva da c\u00e2mera. O monstro n\u00e3o est\u00e1 mais no controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste &#8220;final&#8221;, h\u00e1 (i) a resolu\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e\/filho, (ii) o confronto com o trauma (iii) e o refor\u00e7o da assertividade de Amelia, motivo pelo qual, ao menos em tese, n\u00e3o haveria porqu\u00ea dar seguimento \u00e0 hist\u00f3ria. O monstro, contudo, esconde-se no por\u00e3o e permanece na casa e o filme continua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>9. O final (e porqu\u00ea funciona)<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algo em comum \u00e0s tr\u00eas op\u00e7\u00f5es indicadas acima e \u00e9, justamente, a caracter\u00edstica que as coloca em um patamar menos apropriado para o texto de Kent: a expuls\u00e3o do monstro \u00e9 definitiva. Ap\u00f3s o embate, muitos filmes reconheceriam os problemas da fam\u00edlia como encerrados. Contudo, h\u00e1 mais camadas em <em>O Babadook<\/em>, isto porque realizar uma alegoria com uma enfermidade como a depress\u00e3o faz com que seja necess\u00e1rio que se tenha maior tato em sua resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O monstro permanece no por\u00e3o da casa porque Amelia n\u00e3o est\u00e1, necessariamente, curada. Por mais que haja uma cura para a doen\u00e7a, o perigo dela retornar permanece. Ap\u00f3s o cl\u00edmax da hist\u00f3ria, a protagonista consegue ter um relacionamento mais saud\u00e1vel com seu filho e, a despeito da dor da perda de seu marido, consegue referenci\u00e1-lo em voz alta, fazendo alus\u00e3o a Sam, aquele que via, ao menos at\u00e9 aquele momento, como causador de sua tr\u00e1gica perda.<\/p>\n\n\n\n<p>No jardim, Kent mostra \u00e0 audi\u00eancia o cachorro da fam\u00edlia enterrado, um lembrete dos acontecimentos que transcorreram no filme. Assim como o Babadook, ele est\u00e1 \u201cembaixo\u201d da resid\u00eancia, uma realidade com a qual a personagem ter\u00e1 que lidar e, em um \u00f3timo uso de <em>contra-plong\u00e9e<\/em>, a diretora sobe a c\u00e2mera e nos apresenta uma \u00fanica rosa negra em contraste com a vegeta\u00e7\u00e3o mais viva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"336\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-13.png?resize=790%2C336&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-32800\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-13.png?w=1918&amp;ssl=1 1918w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-13.png?resize=768%2C327&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/image-13.png?resize=1536%2C653&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao visitar o por\u00e3o, Amelia leva oferendas \u00e0 criatura em uma a\u00e7\u00e3o quase ritual\u00edstica. Novamente, h\u00e1 a invers\u00e3o do ponto de vista da c\u00e2mera e vemos a protagonista, mais uma vez, manter a assertividade. \u00c9 uma conviv\u00eancia necess\u00e1ria, na qual ela reconhece o Babadook como parte de si mesma, ao mesmo tempo em que busca refor\u00e7ar o seu controle sobre a sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima cena, h\u00e1 algo de triste em tela. Outra vez ocorre um refor\u00e7o dos acontecimentos passados, quando Sam comenta sobre suas contus\u00f5es. O tom final do filme \u00e9 de otimismo, disso n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas, mas Kent consegue trazer o n\u00edvel certo de melancolia para torn\u00e1-lo mais memor\u00e1vel, porque lidar com a doen\u00e7a ser\u00e1 um trabalho constante \u00e0 personagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>10. Conclus\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Babadook<\/em> \u00e9 um grande exemplo de como se utilizar dos arqu\u00e9tipos do terror de modo a aumentar o debate acerca de temas de relev\u00e2ncia social. Semelhante a outros cl\u00e1ssicos do g\u00eanero, a hist\u00f3ria cresce \u00e0 medida que destrinchamos seu roteiro e a analisamos comparativamente \u00e0 sociedade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Jennifer Kent \u00e9 reconhecida por pessoas que acompanham o g\u00eanero, mas \u00e9 uma infelicidade que n\u00e3o tenha reconhecimento por espectadores mais convencionais, a despeito de uma estreia no circuito de longa metragens t\u00e3o interessantes quanto <em>O Babadook<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>De toda forma, felizmente se mant\u00e9m no cen\u00e1rio, escrevendo e dirigindo, o que \u00e9 \u00f3timo para o Cinema, \u00f3timo para o terror e \u00f3timo para os espectadores.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> A diretora foi respons\u00e1vel, em 2019, pelo filme <a href=\"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-the-nightingale-2019\/\"><em>The Nightingale<\/em><\/a>, seu segundo longa metragem. Atualmente tem seu nome vinculado ao projeto de nome <em>Alice + Freda Forever<\/em>, ainda sem previs\u00e3o de estreia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Recomenda-se, aqui, seu livro <em>De Caligari a Hitler: Uma Hist\u00f3ria Psicol\u00f3gica do Cinema Alem\u00e3o<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Imposs\u00edvel n\u00e3o mencionar que, a despeito da produ\u00e7\u00e3o de um dos maiores cl\u00e1ssicos do g\u00eanero, inclusive que aborda uma tem\u00e1tica quase que estritamente feminina, Roman Polanski est\u00e1 longe de ser o tipo diretor que deve ser glamourizado, tendo se declarado culpado por cinco crimes contra uma crian\u00e7a de treze anos, incluindo estupro com uso de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> O curta, inclusive, funciona como uma vers\u00e3o crua de <em>O Babadook<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Importante destacar que, logo ap\u00f3s, retornamos \u00e0 televis\u00e3o, cena na qual Amelia assiste a um filme que, tamb\u00e9m, passa \u00e0 audi\u00eancia a impress\u00e3o de tratar de possess\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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