{"id":31730,"date":"2023-03-07T19:19:44","date_gmt":"2023-03-07T22:19:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=31730"},"modified":"2024-11-28T23:47:08","modified_gmt":"2024-11-29T02:47:08","slug":"critica-a-baleia-the-whale-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-a-baleia-the-whale-2022\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | A Baleia (The Whale) [2022]"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">Nota do Filme:<br><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" height=\"60\" class=\"wp-image-12258\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u201cE eu me senti mais triste ao ler os cap\u00edtulos chatos que eram apenas descri\u00e7\u00f5es de baleias, porque eu sabia que o autor estava apenas tentando nos salvar de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria triste, apenas por um tempo.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>M\u00faltiplos Personagens<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><em>A Baleia <\/em>acompanha Charlie (Brendan Fraser), um recluso professor de literatura e reda\u00e7\u00e3o criativa que convive com uma obesidade severa, assistido apenas pela sua amiga e enfermeira Liz (Hong Chau) e visitado, ocasionalmente, por Thomas (Ty Simpkins), jovem religioso que busca ajud\u00e1-lo, ainda que \u00e0 sua maneira. Ap\u00f3s anos de abandono, busca se reconectar com a sua filha, Ellie (Sadie Sink), como uma reden\u00e7\u00e3o pelos seus erros do passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Muito foi dito acerca do retorno de Brendan Fraser para o cen\u00e1rio <em>mainstream<\/em> de Hollywood. O <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/noticias\/2022\/11\/18\/brendan-fraser-globo-de-ouro-assedio.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ass\u00e9dio sexual<\/a> sofrido ainda em 2003 se juntou a um turbulento div\u00f3rcio, problemas de sa\u00fade f\u00edsica e mental \u2013 depress\u00e3o \u2013, o que fez com que fosse imposs\u00edvel se manter nos holofotes por um longo per\u00edodo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ademais, tais intercorr\u00eancias afetaram o seu f\u00edsico, afastando-o do biotipo associado ao her\u00f3i de a\u00e7\u00e3o\/aventura pelo qual foi t\u00e3o conhecido por <em>A M\u00famia<\/em>. Dessa forma, h\u00e1 certa simetria \u2013 guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es \u2013 entre o ator e Charlie, de modo que a sua escala\u00e7\u00e3o para o filme mais parece uma interven\u00e7\u00e3o do destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Adaptado de um roteiro para teatro escrito por Samuel D. Hunter, <em>A Baleia<\/em> \u00e9, sobretudo, uma hist\u00f3ria de culpa e auto avers\u00e3o que, inevitavelmente, levam \u00e0 autodestrui\u00e7\u00e3o do personagem. Ante o car\u00e1ter divisivo da obra, por lidar com temas sens\u00edveis como a obesidade e homossexualidade, essa \u00e9 uma diferencia\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas importante, mas tamb\u00e9m necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"539\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/2.jpg?resize=790%2C539&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-31748\" style=\"width:656px;height:447px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/2.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/2.jpg?resize=768%2C524&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/2.jpg?resize=1536%2C1048&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O comportamento de Charlie, pr\u00f3ximo a algo verdadeiramente suicida, n\u00e3o decorre nem da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual nem de seu sobrepeso. A sua homossexualidade\u00a0nunca \u00e9 tratada como algo vergonhoso ou culp\u00e1vel, e a sua obesidade n\u00e3o \u00e9 a causadora dos seus tormentos, mas sim um de seus sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Isto porque, ap\u00f3s conhecer e se apaixonar pelo seu namorado \u2013 j\u00e1 falecido \u2013, o protagonista n\u00e3o apenas se divorciou de sua ent\u00e3o esposa, mas, tamb\u00e9m, abandonou a sua filha, \u00e0 \u00e9poca com apenas oito anos de idade, o que causou grande remorso ao personagem e evidente impacto \u00e0 vida de Ellie, hoje com dezesseis anos. Todavia, em que pese o amor que Charlie parecia nutrir pelo seu parceiro, seu suic\u00eddio repentino tamb\u00e9m pesa em sua consci\u00eancia, n\u00e3o apenas pelo epis\u00f3dio em si, mas por tornar o abandono anteriormente citado quase que in\u00f3cuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Todos s\u00e3o fatores que contribuem para o seu comportamento autodestrutivo, de modo que a comida serve como uma forma de amenizar tais sentimentos. Ao tentar se reconectar com a sua filha, para remediar os erros do passado, Charlie aceita qualquer ofensa e resist\u00eancia por parte dela porque cr\u00ea n\u00e3o apenas que merece tal desprezo, como, na verdade, merece mais. O \u00f3dio que ela sente dele jamais ser\u00e1 maior que o \u00f3dio que sente de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Darren Aronofsky, diretor da obra, \u00e9 bem competente em fazer com que o cen\u00e1rio demonstre esse sentimento com bastante precis\u00e3o. Ao se passar exclusivamente no apartamento de Charlie \u2013 com exce\u00e7\u00e3o de um pequeno <em>flashback<\/em> \u2013, com tons escuros e sem vida, a audi\u00eancia se sente presa a esse turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es negativas. Apenas vemos a luz do sol em duas situa\u00e7\u00f5es: no pequeno <em>flashback<\/em> mencionado e ao final do longa, justamente no momento da climax e da resolu\u00e7\u00e3o emotiva, com o fim de representar a supera\u00e7\u00e3o dessa condi\u00e7\u00e3o de culpa e desprezo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"593\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?resize=790%2C593&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-31749\" style=\"width:571px;height:428px\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?resize=2048%2C1536&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/3-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A representa\u00e7\u00e3o das dificuldades cotidianas do protagonista, advindas do seu peso excessivo, podem dividir algumas pessoas. Alguns veem uma desumaniza\u00e7\u00e3o do personagem, o que refor\u00e7aria uma vis\u00e3o gordof\u00f3bica. Contudo, Aronofsky sempre contrasta isso com a humanidade quase invej\u00e1vel de seu personagem, seu otimismo e sua positividade em rela\u00e7\u00e3o a todos \u00e0 sua volta \u2013 menos a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A realidade, por\u00e9m, \u00e9 que Charlie n\u00e3o est\u00e1 bem, e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o perceber ou retratar as consequ\u00eancias da doen\u00e7a que o aflige. N\u00e3o \u00e9 dito, no filme, o seu peso exato, mas materiais promocionais indicam algo em torno de 300kg, o que, decerto, ter\u00e1 impacto direto em qualquer atividade di\u00e1ria, desde se levantar da cama at\u00e9 mesmo a ir ao banheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">H\u00e1 discuss\u00f5es sobre a utiliza\u00e7\u00e3o dos chamados <em>fat suits<\/em> \u2013 roupas especiais para simular gordura \u2013 que s\u00e3o, de fato, pertinentes, tal qual se discute, hoje, a necessidade de pessoas com defici\u00eancia interpretarem personagens com a respectiva defici\u00eancia, ao inv\u00e9s de simplesmente escalar atores para simul\u00e1-las. Nesse cen\u00e1rio espec\u00edfico, por\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que seria poss\u00edvel encontrar algum ator com essas exatas caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Trata-se de um filme dif\u00edcil, tanto para o espectador como para os envolvidos. Com apenas sete atores creditados \u2013 dos quais tr\u00eas deles t\u00eam apenas uma curta cena em tela \u2013 <em>A Baleia<\/em> arrematou duas indica\u00e7\u00f5es, Melhor Ator Principal (Brendan Fraser) e Melhor Atriz Coadjuvante (Hong Chau), sendo Fraser um dos favoritos na categoria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"343\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/1.jpg?resize=550%2C343&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-31747\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O ponto fraco fica com a caracteriza\u00e7\u00e3o de Ellie. Isto porque, em que pese Sadie Sink entregar uma \u00f3tima performance, a personagem em si acaba sendo um clich\u00ea de adolescente rebelde. Se essa rebeldia se limitasse a Charlie haveria uma clara causalidade para tal, afinal, ela fora abandonada pelo pai. Mas a atitude desagrad\u00e1vel se estende a todas as pessoas em volta, inclusive \u00e0quelas que n\u00e3o est\u00e3o em tela, carecendo de qualquer nuance mais profunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em situa\u00e7\u00e3o semelhante, os temas tangenciais s\u00e3o pouco trabalhados, o que n\u00e3o \u00e9 um problema <em>per si<\/em>, mas, parece haver certa car\u00eancia no roteiro. Nesse sentido, ao trabalhar uma problem\u00e1tica sens\u00edvel referente \u00e0 devo\u00e7\u00e3o religiosa e como ela pode se tornar n\u00e3o uma salva\u00e7\u00e3o, mas uma maldi\u00e7\u00e3o, esperava-se maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 essa resolu\u00e7\u00e3o. Essa aus\u00eancia faz com que o bom trabalho de Ty Simpkins seja pouco percebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Portanto, <em>A Baleia<\/em> \u00e9 a tr\u00e1gica hist\u00f3ria de um homem t\u00e3o cheio de culpa e desprezo que cr\u00ea que sua morte ter\u00e1 mais valor aqueles \u00e0 sua volta que a sua vida, n\u00e3o importa o que lhe digam. Por conta de seus erros, cr\u00ea que merece morrer, mas, n\u00e3o sem antes se punir continuamente. Ao final, a audi\u00eancia percebe \u2013 e sente \u2013 que sempre ser\u00e1 mais dif\u00edcil se perdoar pelos pr\u00f3prios erros que perdoar aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES E SPOILERS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nunca pensei que fosse fazer uma disserta\u00e7\u00e3o em primeira pessoa, &#8220;regra&#8221; que sigo desde que comecei a escrever para o site ainda em 2017. Contudo, <em>A Baleia<\/em> \u00e9 um filme extremamente divisivo, de modo que as opini\u00f5es acerca de seu conte\u00fado tendem a ser expressadas de maneira extremamente apaixonada e, n\u00e3o raramente, agressiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como consequ\u00eancia, h\u00e1 uma tend\u00eancia a alega\u00e7\u00f5es descabidas e pouco coerentes. N\u00e3o \u00e9 raro, na atualidade, a absoluta manifesta\u00e7\u00e3o de certeza cega sem qualquer espa\u00e7o para o debate de ideias, de modo que, ao ler tantas alega\u00e7\u00f5es sobre o filme \u2013 tratadas como afirma\u00e7\u00f5es pelos respectivos interlocutores \u2013, entendi que uma se\u00e7\u00e3o do g\u00eanero poderia ser proveitosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sei que declara\u00e7\u00f5es agressivas como as acima narradas n\u00e3o s\u00e3o raras, especialmente acerca de longa metragens, de modo que isso, por si s\u00f3, n\u00e3o justificaria essa altera\u00e7\u00e3o de comportamento da minha parte. Contudo, a verdade \u00e9 que uma das tem\u00e1ticas do filme \u2013 justamente a mais pol\u00eamica \u2013, qual seja, &#8220;a obesidade&#8221;, guarda grande proximidade \u00e0 mim, vez que apenas recentemente consegui vencer essa doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A mera tentativa de se \u201cexplicar um filme\u201d \u00e9 algo um tanto quanto pedante, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sobre isso que se trata este (n\u00e3o t\u00e3o) pequeno ep\u00edlogo. Busco apenas trazer uma perspectiva diferente da maioria que tenho visto pela internet. Deixo claro, apenas, essa se\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de uma resposta a algum texto espec\u00edfico, at\u00e9 porque foram v\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem. Um dos principais pontos que tentei trazer na &#8220;an\u00e1lise tradicional&#8221; foi que <em>A Baleia<\/em> n\u00e3o \u00e9 um filme sobre obesidade propriamente dito, mas sim de culpa e auto avers\u00e3o, sendo a doen\u00e7a apenas o fio condutor escolhido por Samuel Hunter, roteirista tanto do filme quanto da pe\u00e7a que o originou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ap\u00f3s conhecer o amor de sua vida, o protagonista tem de lidar com o seu suic\u00eddio. Em que pese ver poss\u00edveis sinais, deve conviver com o fato de que n\u00e3o conseguiu salvar a pessoa que mais amava de si mesma algo que, por si s\u00f3, \u00e9 extremamente traum\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">H\u00e1, ainda, um car\u00e1ter tr\u00e1gico, uma vez que o que ele precisava n\u00e3o era de afei\u00e7\u00e3o propriamente dita, mas sim de ajuda psicol\u00f3gica\/psiqui\u00e1trica, de modo que Charlie jamais conseguiria salva-lo dessa forma. Ele se culpa, portanto, por algo sobre o qual n\u00e3o teve qualquer responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Acrescenta-se a isso o fato de que essa morte trata de quest\u00f5es complexas envolvendo a sua homossexualidade \u2013 afinal, seu namorado fora criado em uma religi\u00e3o extremamente conservadora e, basicamente, ensinado a se reprimir \u2013 e o abandono parental que fizeram com a sua filha, e temos uma forte combina\u00e7\u00e3o para causar grande sofrimento interno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Charlie j\u00e1 lidava com problemas de peso antes, como dito no filme, contudo, ap\u00f3s tais eventos, encontra na comida o \u00fanico consolo. Essa compuls\u00e3o cria um efeito c\u00edclico e realimenta a pr\u00f3pria culpa, fazendo com que ele nunca procure a ajuda necess\u00e1ria, pois acredita que merece o sofrimento que o acompanha, seja pela sua incapacidade de salvar seu namorado, seja pelo abandono de Ellie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Charlie det\u00e9m os meios de, talvez, se salvar. No decorrer do filme, descobrimos que ele tem uma grande quantia de dinheiro guardada. Essa cifra, como Liz diz, poderia ter ajudado a tratar a sua condi\u00e7\u00e3o, mas ele escolhe n\u00e3o faz\u00ea-lo porque cr\u00ea que sua morte ser\u00e1 algo melhor a todos \u00e0 sua volta. \u00c9, na realidade, uma forma de penit\u00eancia extremamente lenta e dolorosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Essa situa\u00e7\u00e3o cria um tipo de trag\u00e9dia especial pelo motivo dado por ele: \u201c<em>o dinheiro \u00e9 para a Ellie<\/em>\u201d, algo que pode parecer altru\u00edsta \u00e0 primeira vista, mas n\u00e3o \u00e9. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio muito esfor\u00e7o mental para perceber que o melhor para a sua filha seria t\u00ea-lo com ela, para que ele pudesse se redimir em vida, n\u00e3o na morte. Trata-se de algo que a audi\u00eancia consegue perceber com facilidade, contudo, o protagonista, mergulhado em auto avers\u00e3o, n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ap\u00f3s uma an\u00e1lise mais aprofundada, \u00e9 dif\u00edcil crer que <em>A Baleia<\/em> \u00e9 um filme feito especificamente para abordar a obesidade, mas fato \u00e9 que ele a utiliza. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel se entender que essa representa\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim, mal feita e\/ou prejudicial. Sobre isso, inclusive, sequer se faz necess\u00e1rio analisar as inten\u00e7\u00f5es dos envolvidos no longa, uma vez que, produzida a obra, a sua interpreta\u00e7\u00e3o recai ao espectador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A cada um cabe analisar o benef\u00edcio \u2013 ou malef\u00edcio \u2013 que o filme pode trazer ao tema. Quem faz a an\u00e1lise, por\u00e9m, tem o \u00f4nus de, ao menos, estar aberto \u00e0 possibilidade de ter a sua percep\u00e7\u00e3o alterada, seja por novas informa\u00e7\u00f5es ou novas perspectivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aqui, acho interessante abordar algumas cr\u00edticas\/coment\u00e1rios pontuais que me deparei acerca do filme, de um modo geral:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(a) Charlie seria um personagem sem falhas e seria, literalmente, um santo, especialmente considerando como aguenta tanta rejei\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria filha (esse n\u00e3o diz respeito \u00e0 obesidade, mas, me incomodou);<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Charlie abandonou a pr\u00f3pria filha. \u00c9 um tanto quanto dif\u00edcil imaginar que isso n\u00e3o representa qualquer tipo de falha no personagem. Nesse sentido, em que pese sua ex-esposa dar a entender que dificultou qualquer contato entre os dois, ela menciona que era para impedir que ele visse como Ellie se tornou, de modo que \u00e9 justo supor que isso apenas ocorreu ap\u00f3s determinado per\u00edodo de tempo, de forma que o abandono inicial recai todo sobre o protagonista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sobre as ofensas, em que pese Charlie ser uma pessoa positiva, como diz sua pr\u00f3pria ex-esposa, o modo como lida com qualquer ofensa decorre de seu pr\u00f3prio \u00f3dio a si mesmo. Ele aceita quaisquer ofensas de Ellie porque, na realidade, ele acha que as merece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(b) A utiliza\u00e7\u00e3o de um <em>fat suit<\/em> seria uma viol\u00eancia \u00e0s pessoas gordas;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Um ponto interessante que acho que pode ser melhor trabalhado, mas, deve considerar as limita\u00e7\u00f5es evidentes. Eu, particularmente, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum ator com um peso sequer aproximado ao do personagem. Inclusive, havendo as mesmas dificuldades, a filmagem em si seria imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(c) O filme gera nojo em rela\u00e7\u00e3o ao protagonista;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Trata-se de uma quest\u00e3o interpretativa. Os dois \u00fanicos personagens que veem Charlie pela primeira vez \u2013 Thomas e Dan, o entregador de pizza \u2013 t\u00eam rea\u00e7\u00f5es semelhantes que podem ser interpretadas dessa forma. Contudo, essa rea\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 contrastada pela pr\u00f3pria do\u00e7ura e empatia do protagonista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Tal tipo de rea\u00e7\u00e3o jamais \u00e9 retratada como algo razo\u00e1vel ou justo, pelo contr\u00e1rio, de modo que refor\u00e7a uma mensagem emp\u00e1tica aos personagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Assim, a audi\u00eancia deve questionar a pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o inicial ao se deparar com o protagonista e, por consequ\u00eancia, questionar os seus pr\u00f3prios preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(d) Os h\u00e1bitos alimentares de Charlie n\u00e3o representam a maioria das pessoas gordas;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">As causas da obesidade n\u00e3o se limitam a, simplesmente, \u201ccomer demais\u201d, conforme \u00e9 poss\u00edvel confirmar por mera pesquisa na internet. Em uma reportagem dispon\u00edvel no \u201cglobo.com\u201d (<a href=\"https:\/\/ge.globo.com\/eu-atleta\/saude\/noticia\/obesidade-causas-da-doenca-vao-muito-alem-de-comer-demais.ghtml\">https:\/\/ge.globo.com\/eu-atleta\/saude\/noticia\/obesidade-causas-da-doenca-vao-muito-alem-de-comer-demais.ghtml<\/a>), por exemplo, listam-se seis ra\u00edzes principais: (i) heran\u00e7a gen\u00e9tica; (ii) desequil\u00edbrio entre ingest\u00e3o cal\u00f3rica e gasto de energia; (iii) dieta de baixa qualidade, baseada no consumo de alimentos hipercal\u00f3ricos e ricos em gorduras, a\u00e7\u00facar e carboidrato; (iv) altera\u00e7\u00f5es hormonais; (v) comer fora de hora ou sem fome; (vi) sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Destes, Charlie tem, ao menos, tr\u00eas \u2013 (ii), (iii) e (vi). Dados os coment\u00e1rios sobre sempre conviver com o sobrepeso, \u00e9 justo supor que possui tamb\u00e9m o ponto (i). Quanto aos dois remanescentes, podemos conjecturar, mas com pouca base.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dessa forma, n\u00e3o parece haver uma desconex\u00e3o do filme com a realidade. Contudo, \u00e9 importante lembrar que, ainda que n\u00e3o representasse a maioria das pessoas gordas, a representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser majorit\u00e1ria, desde que seja real.<\/p>\n\n\n\n<p>(e) Charlie seria miser\u00e1vel apenas por ser gay e gordo;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Interpretar dessa forma \u00e9 desconsiderar qualquer profundidade maior, como j\u00e1 exposto nos t\u00f3picos anteriores. O excessivo reducionismo prejudica qualquer interpreta\u00e7\u00e3o mais intensa, buscando uma simplifica\u00e7\u00e3o exacerbada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(f) Endossa que pessoas gordas podem morrer a qualquer minuto, uma vez que foca em um caso extremo;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A resposta se encontra na pr\u00f3pria alega\u00e7\u00e3o: trata-se de um caso extremo, inclusive sendo assim descrito por diversas vezes. N\u00e3o me parece haver qualquer inclina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica no longa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">(g) Charlie teria perdido o contato com Ellie depois que assumiu a homossexualidade;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como dito, ver dessa forma parece tirar a responsabilidade do protagonista quanto ao abandono. Ao mesmo tempo, n\u00e3o h\u00e1 nada que indique que sua ex-esposa vetou qualquer contato ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. <\/p>\n\n\n\n<p>\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013\u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Enfim, como dito, essa se\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata de um rebate a algum texto espec\u00edfico, nem mesmo a qualquer cr\u00edtica realizada ao filme. Apenas quis desconstruir algumas alega\u00e7\u00f5es que, com o devido respeito, considero pouco embasadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dito isso, \u00e9 bom lembrar, tamb\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 uma tentativa de me inserir em uma posi\u00e7\u00e3o de superioridade a quem quer que tenha interpretado dessa forma, mas sim trazer um contraponto \u00e0s alega\u00e7\u00f5es. O ato de concordar\/discordar permanece com o leitor, qualquer texto que seja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Quem tiver interesse e puder, assista ao filme e tire suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es. Pesquise opini\u00f5es, em especial as divergentes, e se mantenha aberto a elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No mais, a quem quer que tenha ficado at\u00e9 o final dessa longa divaga\u00e7\u00e3o, espero que tenha sido minimamente proveitosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma performance arrebatadora de Brendan Fraser, &#8220;A Baleia&#8221; \u00e9 um dos dramas mais intensos de 2022.<\/p>\n","protected":false},"author":72,"featured_media":31746,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2085,9,2086,2082,2083],"tags":[4437,637,353,77,4351],"class_list":["post-31730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bafta","category-critica","category-globo-de-ouro","category-oscar","category-sag-awards","tag-brendan-fraser","tag-darren-aronofsky","tag-drama","tag-oscar","tag-sadie-sink"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - 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