{"id":30698,"date":"2022-03-02T11:59:25","date_gmt":"2022-03-02T14:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=30698"},"modified":"2022-03-02T11:59:30","modified_gmt":"2022-03-02T14:59:30","slug":"critica-belfast-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-belfast-2021\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Belfast (2021)"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">Nota do filme:<br><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" height=\"60\" class=\"wp-image-12257\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br><\/h3>\n\n\n\n<p>Os primeiros minutos de <strong><em>Belfast<\/em><\/strong>, que estreia nos cinemas na quinta-feira (10), s\u00e3o simb\u00f3licos no desenvolvimento da proposta do filme. Neles, o menino Buddy (<strong>Jude Hill<\/strong>), de nove anos, brinca pelas ruas de seu amado sub\u00farbio quando inicia-se um conflito entre cat\u00f3licos e protestantes que culmina em brigas, ataques e at\u00e9 carros explodindo na porta de sua casa. Esta guerra civil, tamb\u00e9m conhecida como <em>The Troubles<\/em>, durou at\u00e9 o final dos anos 90 e marcou um per\u00edodo de muita inseguran\u00e7a e medo na Irlanda do Norte, onde vizinhos eram obrigados a se opor uns aos outros sem motivo aparente. \u00c9 atrav\u00e9s do paralelo entre a ingenuidade infantil e a falta de sentido em conflitos como este que o diretor e roteirista <strong>Kenneth Branagh<\/strong> escolhe contar essa hist\u00f3ria, levemente inspirada em sua inf\u00e2ncia, tamb\u00e9m vivida na capital Belfast.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem mais preocupado em aumentar as notas para conquistar a crush do col\u00e9gio do que em entender a balb\u00fardia que fazem os adultos, Buddy v\u00ea seu pequeno universo invadido por grandes problemas. O pai (<strong>Jamie Dornan<\/strong>) \u00e9 um homem am\u00e1vel, mas que passa semanas longe, trabalhando em Londres; sua m\u00e3e (<strong>Caitriona Balfe<\/strong>) fica encarregada de criar e educar os filhos, mas vive angustiada com a instabilidade da fam\u00edlia. Quando as coisas apertam, Buddy se refugia na casa dos av\u00f3s (<strong>Judi Dench<\/strong> e <strong>Ciar\u00e1n Hinds<\/strong>), que lhe d\u00e3o carinho e os conselhos que precisa. A din\u00e2mica familiar \u00e9 boa, mas conforme a guerra avan\u00e7a, fica cada vez mais dif\u00edcil deixar do lado de fora os problemas que ela acaba gerando, e n\u00e3o tem estrutura familiar que n\u00e3o se abale com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Fica evidente o tempo todo que <strong><em>Belfast<\/em><\/strong> \u00e9 um projeto bastante pessoal para Branagh. \u00c9 poss\u00edvel sentir o cuidado e preciosismo com que ele trata cada momento da hist\u00f3ria, desde o tratamento do roteiro at\u00e9 quest\u00f5es t\u00e9cnicas como fotografia e enquadramentos. Existe aqui muito talento e afeto, e mesmo que por vezes ele perca o foco sobre a abordagem que deseja, seu longa continua uma obra tocante e sens\u00edvel sobre as dores e alegrias de uma inf\u00e2ncia vivida em meio \u00e0 conflitos que a inoc\u00eancia da crian\u00e7a n\u00e3o consegue mesurar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast2.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"Cena de Belfast.\" class=\"wp-image-30700\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast2.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast2.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Menos de um m\u00eas depois do lan\u00e7amento de <strong><em><a href=\"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-morte-no-nilo-death-on-the-nile-2022\/\">Morte no Nilo<\/a><\/em><\/strong>, Kenneth volta a esbanjar seu talento como diretor, lan\u00e7ando m\u00e3o de uma vis\u00e3o l\u00fadica para abordar esse momento t\u00e3o grave da hist\u00f3ria da Irlanda. Aos olhos de Buddy, cujo universo infantil \u00e9 captado com sensibilidade e muita delicadeza, a guerra \u00e9 uma mera coadjuvante. O que realmente importa \u00e9 ver seus pais juntos, assistir filmes na matin\u00ea do fim de semana e poder brincar com os amigos pelas ruas que conhece desde que nasceu. Enquadramentos inusitados e criativos constroem o universo inocente do garoto e, aos poucos, o espectador vai sendo transportado para uma inf\u00e2ncia talvez muito distante da que viveu, mas com a qual estranhamente consegue se identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>A ambienta\u00e7\u00e3o nos anos 60 \u00e9 rica tanto em figurinos quanto em refer\u00eancias \u00e0 cultura pop. O longa \u00e9 meticuloso at\u00e9 em pequenos detalhes e a escolha pela fotografia em preto e branco \u00e9 mais um dos acertos da reconstru\u00e7\u00e3o de \u00e9poca, fundamental para que o espectador tenha uma experi\u00eancia ainda mais imersiva. Aqui, o preto e branco n\u00e3o \u00e9 apenas um acess\u00f3rio, ele ajuda na representa\u00e7\u00e3o das mem\u00f3rias do diretor, evidenciando os momentos de pureza e genu\u00edno escapismo de Buddy, geralmente no teatro e no cinema. S\u00e3o passagens bastante tocantes e que conversam diretamente com a inf\u00e2ncia e as mem\u00f3rias do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong><em>Belfast<\/em><\/strong> peca no momento em que procura assumir aquela que parecia ser sua proposta desde o in\u00edcio. Tirando a cena inicial e algumas poucas em que Buddy se envolve diretamente nos conflitos que invadem a cidade, \u00e9 dif\u00edcil ver o que se passa atrav\u00e9s de seus olhos porque ele est\u00e1 sempre muito distante de tudo. O longa perde o foco da proposta inicial e coloca o protagonista t\u00e3o alheio ao que est\u00e1 acontecendo que ele acaba perdendo seu prop\u00f3sito. <strong><em>Belfast<\/em><\/strong>, que tem a inten\u00e7\u00e3o de mostrar a guerra atrav\u00e9s dos olhos de Buddy, acaba dando mais destaque que o necess\u00e1rio aos pais do menino, e o resultado \u00e9 um filme cujo protagonista \u00e9 aparece como coadjuvante na pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast3.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"Caitriona Balfe e Jamie Dornan em cena de Belfast.\" class=\"wp-image-30701\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast3.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/belfast3.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o que Caitriona Balfe ou Jamie Dornan n\u00e3o tenham condi\u00e7\u00f5es de assumir a responsabilidade. Ele consegue se desvencilhar muito bem da imagem que <em>50 Tons de Cinza<\/em> ajudou a criar entre o p\u00fablico, mas a presen\u00e7a de Caitriona \u00e9 ainda mais marcante e a atriz rouba todas as cenas em que aparece. Apesar do foco excessivo que recai sobre os dois, o roteiro n\u00e3o desenvolve bem certas quest\u00f5es que acompanham os personagens, tamb\u00e9m deixando a desejar no envolvimento de Buddy nos conflitos que cercam sua fam\u00edlia. Em contrapartida, Jude Hill tem talento e carisma de sobra e fica imposs\u00edvel para o espectador se encantar por suas aventuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Como homenagem, <strong><em>Belfast<\/em><\/strong> consegue ser a carta de amor que Branagh intencionava escrever sobre sua inf\u00e2ncia. O tom l\u00fadico e de genu\u00edno fasc\u00ednio com que ele capta as experi\u00eancias de Buddy na escola, na igreja ou em contato com a arte \u00e9 preciso e muito emocionante, capaz de deixar qualquer espectador apaixonado. J\u00e1 nos momentos em que precisa coloc\u00e1-lo frente a frente com a realidade que o cerca, o diretor acaba fraquejando e <strong><em>Belfast<\/em><\/strong> perde muito do peso dram\u00e1tico que poderia ter. \u00c9 um longa visualmente bonito, divertido e com \u00f3timos momentos, mas est\u00e1 longe de merecer o t\u00edtulo de melhor filme ou roteiro do ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os primeiros minutos de Belfast, que estreia nos cinemas na quinta-feira (10), s\u00e3o simb\u00f3licos no desenvolvimento da proposta do filme. 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