{"id":30370,"date":"2021-12-20T17:10:42","date_gmt":"2021-12-20T20:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=30370"},"modified":"2021-12-20T17:18:33","modified_gmt":"2021-12-20T20:18:33","slug":"entrevista-diretor-rene-sampaio-fala-sobre-levar-eduardo-e-monica-as-telas-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/entrevista-diretor-rene-sampaio-fala-sobre-levar-eduardo-e-monica-as-telas-de-cinema\/","title":{"rendered":"Entrevista | Diretor Ren\u00e9 Sampaio fala sobre levar  &#8221;Eduardo e M\u00f4nica&#8221; \u00e0s telas de cinema"},"content":{"rendered":"\n<p>No auge dos seus 14 anos, <strong>Ren\u00e9 Sampaio<\/strong>, um simples adolescente da classe m\u00e9dia de Bras\u00edlia, ouvia Legi\u00e3o Urbana com um fervor digno do t\u00edtulo de f\u00e3 n\u00famero um e j\u00e1 sonhava em levar essa paix\u00e3o para as grandes telas brasileiras. Hoje, aos 47 anos e algum tempo depois, Sampaio n\u00e3o apenas realizou o sonho desse menino como tamb\u00e9m se transformou em um dos expoentes em manter o legado da banda vivo atrav\u00e9s do seu trabalho como diretor. Depois do sucesso de <em>\u201cFaroeste Caboclo\u201d<\/em>, thriller inspirado na can\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima de Renato Russo, Ren\u00e9 mergulha nas aventuras rom\u00e2nticas de <em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em> enquanto j\u00e1 se prepara para lan\u00e7ar um document\u00e1rio sobre o int\u00e9rprete e mais um longa inspirado em outra obra do repert\u00f3rio do Legi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"494\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/papo-de-cinema-a-brasilia-protagonista-do-diretor-rene-sampaio-97a2.jpg?resize=790%2C494&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30398\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/papo-de-cinema-a-brasilia-protagonista-do-diretor-rene-sampaio-97a2.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/papo-de-cinema-a-brasilia-protagonista-do-diretor-rene-sampaio-97a2.jpg?resize=768%2C480&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com um fasc\u00ednio para al\u00e9m do romance, o diretor buscou contar uma hist\u00f3ria que explorasse diferentes quest\u00f5es que permeiam as rela\u00e7\u00f5es humanas, entre elas a alteridade &#8212; sociopol\u00edtica e pessoal. Em entrevista ao <strong>Cinematologia<\/strong>, Ren\u00e9 conversou sobre o processo criativo, a sua rela\u00e7\u00e3o com a banda Legi\u00e3o Urbana e a import\u00e2ncia do debate acerca de assuntos pol\u00edticos no Brasil de hoje. Com <strong>Alice Braga<\/strong> e<strong> Gabriel Leone<\/strong> nos pap\u00e9is principais,  <em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em>, que foi exibido no Festival do Rio, chega aos cinemas brasileiros em 6 de janeiro de 2022 e promete uma <em>&#8220;experi\u00eancia coletiva como ir a um show do Legi\u00e3o Urbana&#8221;<\/em>. Confira o nosso bate-papo!\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinematologia: Esse \u00e9 o seu segundo filme que explora as m\u00fasicas do Renato Russo. O que nesse universo criado pelo artista em suas m\u00fasicas te atrai tanto?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ren\u00e9 Sampaio: <\/strong>Faz sentido para mim adaptar a obra e o material dele. Legi\u00e3o \u00e9 uma banda formativa para mim, eu sou f\u00e3 desde moleque das m\u00fasicas do Renato, que continuam atemporal e pertinentes, talvez, infelizmente, at\u00e9 mais em algumas m\u00fasicas, como <em>\u201cQue Pa\u00eds \u00c9 Esse?\u201d<\/em>. Nascido e criado na classe m\u00e9dia de Bras\u00edlia, minha vida era muito parecida com a de Eduardo em v\u00e1rios sentidos: no sentido econ\u00f4mico, de gostar de tocar viol\u00e3o, ter um grupo da igreja. Ent\u00e3o, eu acho que essa m\u00fasica e esse personagem, especificamente, tem muito a ver com as pessoas que eu conhecia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"594\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2020-04-24-at-12.04.31-2.jpeg?resize=750%2C594&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30387\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por exemplo, n\u00f3s t\u00ednhamos que pesquisar para entender o que era Bauhaus. <em>(risos)<\/em> As coisas que eram ditas na m\u00fasica, que para outras pessoas, mais elitizadas intelectualmente, n\u00e3o eram desconhecidas, para n\u00f3s era um mist\u00e9rio. O lado do Eduardo representava muito a minha vida e o lado da M\u00f4nica o que eu imaginava que eram os artistas, o que era intelectualidade. Eu tenho um fasc\u00ednio para al\u00e9m da hist\u00f3ria de amor, por esses universos que se comunicam e depois se transformam um na vida do outro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: Voc\u00ea diria ent\u00e3o que esse filme se tornou um pouco autobiogr\u00e1fico?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS:<\/strong> N\u00e3o, eu n\u00e3o acho que seja autobiogr\u00e1fico. Eu n\u00e3o tenho uma hist\u00f3ria de amor nesse molde, de ter vivido um relacionamento com essa essa mulher mais velha que te educa e te transforma em um homem. Mas acho que ele \u00e9 muito autorreferencial quando falamos em coisas que fazem sentido para Bras\u00edlia, para os lugares, para as sensa\u00e7\u00f5es e para as emo\u00e7\u00f5es que passei na cidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"1185\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/EM_Preview_LeoAversa-003.jpg?resize=790%2C1185&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30388\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/EM_Preview_LeoAversa-003.jpg?w=1067&amp;ssl=1 1067w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/EM_Preview_LeoAversa-003.jpg?resize=768%2C1152&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/EM_Preview_LeoAversa-003.jpg?resize=1024%2C1536&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><figcaption>Foto: Leo Aversa<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>C: Por ter uma abordagem mais pessoal, de que forma a experi\u00eancia de filmar <\/strong><strong><em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d <\/em><\/strong><strong>foi diferente para voc\u00ea em compara\u00e7\u00e3o com \u2018\u2019<\/strong><strong><em>Faroeste Caboclo\u2019\u2019<\/em><\/strong><strong>?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS: <\/strong>Por muitos motivos foi diferente. <em>\u201cFaroeste Caboclo\u2019\u2019<\/em> \u00e9 um thriller e responde \u00e0s conven\u00e7\u00f5es desse g\u00eanero. Tem tiro, morte, drogas, ent\u00e3o \u00e9 um universo particular. O <em>\u201cEduardo e M\u00f4nica&#8217;<\/em>&#8216; \u00e9 um filme solar como a m\u00fasica, \u00e9 uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica, ent\u00e3o a minha resposta para esse trabalho foi diferente. \u00c9 claro que mantive os aprendizados da vida, que voc\u00ea adquire ao fazer um longa, mas eu tive que come\u00e7ar do zero.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rene-sampaio.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30389\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rene-sampaio.jpg?w=1600&amp;ssl=1 1600w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rene-sampaio.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rene-sampaio.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>C: O trabalho de fotografia que pode ser visto em <\/strong><strong><em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em><\/strong><strong> reflete muito essa abordagem leve e afetuosa que voc\u00ea queria para o filme, que conta uma hist\u00f3ria de amor muito \u201csolar\u201d.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS:<\/strong> O <em>\u201cFaroeste Caboclo\u2019\u2019<\/em> partiu de uma paleta de cores que vinha do terroso nas primeiras cenas e terminava na terra vermelha do Distrito Federal que fazia uma alus\u00e3o ao sangue. No <em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em>, a nossa paleta foi buscando aquecer internamente os personagens, de modo que conforme eles v\u00e3o mudando, evoluindo a partir desse contato com o outro, a paleta vai ficando mais colorida. \u00c9 um colorido que acrescenta cores, o oposto do que acontecia no <em>\u2018\u2019Faroeste\u2019\u2019<\/em>, onde n\u00f3s \u00edamos tirando as cores at\u00e9 restar poucas no final. Embora seja com a mesma equipe do <em>\u2018\u2019Faroeste Caboclo\u2019\u2019<\/em> &#8212; que eu repeti 100% porque nos demos muito bem &#8211;, as escolhas est\u00e9ticas s\u00e3o completamente diferentes para esse segundo filme.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Eduardo e Mo\u0302nica | Trailer Oficial\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IoSR5tl1AAU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>C: Todo mundo que j\u00e1 ouviu a m\u00fasica <\/strong><strong><em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em><\/strong><strong>, em algum momento, j\u00e1 imaginou como seriam essas pessoas, o que traz uma enorme responsabilidade em acertar nas escolhas. Quando voc\u00ea soube que a Alice Braga e o Gabriel Leone seriam as escolhas perfeitas para o papel? O que na interpreta\u00e7\u00e3o deles te convenceu?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS: <\/strong>Quando eu fa\u00e7o um filme, eu n\u00e3o penso em um ator espec\u00edfico. Eu penso em um esp\u00edrito. Eu era muito aberto a qualquer ator que trouxesse algo que acrescentasse a essa experi\u00eancia. Quando falei com a minha produtora, ela sugeriu o nome da Alice e eu achei a ideia excelente. Afinal, quem vai dizer que n\u00e3o poderia ser a Alice? Ela entrou e saiu do projeto v\u00e1rias vezes porque uma hora tinha dinheiro, depois n\u00e3o tinha roteiro, ela n\u00e3o tinha agenda, ent\u00e3o fomos consideramos outras pessoas. Mas na hora de gravar mesmo, eu perguntei se ela teria disponibilidade caso gostasse da nova vers\u00e3o do roteiro. Ela s\u00f3 tinha 10 semanas para gravar e duas semanas para se preparar com o Gabriel, ent\u00e3o eu acho que o papel era para ser dela, estava destinado. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"526\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?resize=790%2C526&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30375\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?w=2500&amp;ssl=1 2500w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?resize=1536%2C1022&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?resize=2048%2C1363&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/eduardo-e-monica_cena_republica_media_foto-mariana-vianna-2319.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Gabriel Leone era muito mais novo e ele n\u00e3o foi muito bem no primeiro teste. Ele mesmo sentiu que n\u00e3o havia sido t\u00e3o bom e pediu para refaz\u00ea-lo porque queria muito fazer esse personagem. No segundo dia, ele arrebentou e entregou algo que n\u00e3o acreditamos, ent\u00e3o entendi que ele s\u00f3 estava nervoso por querer tanto esse papel. Quando juntamos os dois juntos, eles tinham muita qu\u00edmica e isso reflete na tela, parecia que eles tinham sido feitos um para o outro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: Apesar de ser baseado nesse cl\u00e1ssico atemporal, que vive no imagin\u00e1rio de gera\u00e7\u00f5es, qual a hist\u00f3ria que voc\u00ea quis contar para al\u00e9m do que est\u00e1 nos versos da can\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS: <\/strong>Para al\u00e9m da hist\u00f3ria, eu quis falar sobre a alteridade, sobre como \u00e9 importante voc\u00ea escutar o outro e, de verdade, se colocar no lugar dele e n\u00e3o apenas <em>\u201cpermitir\u201d <\/em>que ele possa dizer o que pensa. Alteridade, para mim, \u00e9 se colocar no lugar do outro e isso passar a fazer sentido para voc\u00ea. O objetivo dos personagens \u00e9 que eles conseguissem se olhar no olho, depois que eles passam por certas experi\u00eancias, por certas declara\u00e7\u00f5es de amor. A mensagem \u00e9 um pouco sobre escutar, entender e tentar sair dos conflitos nesse mundo t\u00e3o polarizado que estamos vivendo e como a gente consegue com respeito, amor e carinho se relacionar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" data-id=\"30372\" data-full-url=\"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" data-link=\"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?attachment_id=30372\" class=\"wp-image-30372\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?w=2500&amp;ssl=1 2500w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Trilha-2_-credito_-frame-divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>C: A ilustra\u00e7\u00e3o do olhar de um para o outro e a transforma\u00e7\u00e3o que os dois personagens vivem est\u00e1 muito presente na sua mise-en-scene, principalmente na cena em que eles t\u00eam o primeiro encontro no Teatro Nacional. A c\u00e2mera brinca com esse jogo de poder que existe entre eles e at\u00e9 mesmo, em alguns momentos, deforma essa imagem a ponto de n\u00e3o definir exatamente a posi\u00e7\u00e3o da M\u00f4nica com rela\u00e7\u00e3o ao Eduardo. Como foi a constru\u00e7\u00e3o dessa cena?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS:<\/strong> N\u00f3s temos mais sorte do que ju\u00edzo <em>(risos)<\/em>. Claro que algumas coisas s\u00e3o pensadas, como a quest\u00e3o do ponto de vida (a M\u00f4nica, por exemplo, come\u00e7a a ser olhada de baixo para cima pelo Eduardo, e ela olha de cima para baixo. Depois de um certo momento, ele inverte o jogo e a c\u00e2mera segue esse olhar), mas ao trabalhar em cima disso outras solu\u00e7\u00f5es v\u00e3o se fazendo presente no momento da filmagem. Agora que temos o pensamento, como vamos colocar isso imageticamente? <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30381\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando chegamos para filmar essa cena, sab\u00edamos o que quer\u00edamos ilustrar, mas o movimento de c\u00e2mera foi algo que me encantou na hora, sem ter um racioc\u00ednio pr\u00e9vio. Foi uma solu\u00e7\u00e3o que veio com a sensibilidade do momento, mas que corresponde com o pensamento anterior de querer colocar o Eduardo embaixo e a M\u00f4nica em cima.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: Al\u00e9m da nostalgia que naturalmente o filme traz, por se tratar de uma letra do Renato Russo, o filme, que se passa nos anos 80, prop\u00f5e uma viagem musical no tempo ao optar por ter como trilha sonora sucessos internacionais da d\u00e9cada e que fazem parte da mem\u00f3ria de grande parte do p\u00fablico. Por qu\u00ea a prefer\u00eancia por um repert\u00f3rio internacional quando se trata de um filme nacional baseado em um cl\u00e1ssico de um artista brasileiro?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS:<\/strong> O filme tem umas 8 m\u00fasicas internacionais que eu achei que faziam sentido para o universo da M\u00f4nica e do Eduardo e que tocavam na r\u00e1dio naquela \u00e9poca. Tem uma cena da M\u00f4nica descendo uma escada que toca 15 segundos de <em>Take on Me<\/em>, do A-ha, e o resultado ficou incr\u00edvel. Foi uma fortuna e a minha produtora \u00e9 uma louca porque ela compra todos os meus baratos. Quando ela assistiu a \u2018\u2019<em>Once Upon a\u2026 Hollywood\u2019\u2019<\/em>),do Tarantino, ela ficou encantada ao ver que ele usou <em>Miss Robinson<\/em> (The Beatles) em uma \u00fanica cena da personagem atravessando a rua. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30378\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-8_FRAME_12-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ali, ela decidiu que se ele fez, n\u00f3s tamb\u00e9m ir\u00edamos fazer. Com essa trilha, essa cena da M\u00f4nica transporta a audi\u00eancia para lugares afetivos. Afinal, \u00e9 um filme que busca emocionar os jovens de todas as idades, desde o cara que tem mais de 40 anos e viveu aquela \u00e9poca, que se emociona pela mem\u00f3ria do jovem que ele foi, e os de hoje, que v\u00e3o se emocionar por ver uma hist\u00f3ria de amor t\u00e3o verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: Apesar de se tratar de uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica, o filme aborda diversas quest\u00f5es debatidas na \u00e9poca da Ditadura Militar que ainda s\u00e3o pertinentes para os tempos atuais, como conservadorismo, ex\u00edlio e militarismo, e que surgem naturalmente na rela\u00e7\u00e3o entre Eduardo, M\u00f4nica e o av\u00f4 dele. Qual a import\u00e2ncia de trazer esses assuntos de consci\u00eancia pol\u00edtica nesse filme e no Brasil de hoje?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS:<\/strong> Quando escrevemos este roteiro em 2018, n\u00e3o imagin\u00e1vamos que o Brasil ia estar no lugar que ocupa hoje. Esses s\u00e3o os mist\u00e9rios da arte, n\u00e9? Por um acaso calhou de estarmos estreando em um momento que o Brasil segue discutindo essas quest\u00f5es na mesa do jantar. Fazia muito sentido para a gente que o av\u00f4 do Eduardo fosse muito conservador. Fomos evoluindo sobre esse personagem, \u00e0s vezes indo para um lugar mais leve, outras n\u00e3o, sempre explorando outras facetas do conservadorismo dele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30377\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/CENA-69_FRAME.54-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 triste que n\u00f3s estejamos no mesmo lugar falando sobre ditadura, sobre falta de liberdade, regime militar, o golpe de estado. Por um acaso calhou de estarmos estreando em um momento que o Brasil segue discutindo essas quest\u00f5es na mesa do jantar. Esse filme ganhou uma contemporaneidade que n\u00f3s n\u00e3o imagin\u00e1vamos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: <strong>Nos tornamos uma sociedade onde o radicalismo e opress\u00e3o imperam.\u00a0<\/strong>Voc\u00ea imaginava que estar\u00edamos ocupando esse lugar politicamente mais uma vez, na forma que est\u00e1 sendo? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS: <\/strong>Eu nunca imaginei que tiv\u00e9ssemos que ficar defendendo a nossa democracia do jeito que temos que defender hoje em dia. Para mim, era algo consolidado, e hoje em dia abrimos o jornal e nos deparamos com not\u00edcias que mostram que h\u00e1 ind\u00edcios de golpe. \u00c9 inacredit\u00e1vel que tenhamos chegado a esse ponto em t\u00e3o pouco tempo. Eu espero que esse filme fa\u00e7a as pessoas refletirem. Eu acredito que 80% das pessoas n\u00e3o tem esse pensamento do av\u00f4, mas muitas est\u00e3o contaminadas pelo fogo que os radicais t\u00eam colocado na rua. Eu acho que o filme mostra que h\u00e1 outras alternativas e que n\u00e3o precisa ser desse jeito.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30379\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/33_11-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>C: O fato do filme ser uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica contribui para estabelecer esse di\u00e1logo? Acredita que a ideologia presente no filme ser\u00e1 melhor recebida &#8212; e compreendida &#8212; por isso?&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RS: <\/strong>As quest\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o o centro do filme, elas fazem parte dele s\u00e3o abordadas na medida certa para o que esse tipo de g\u00eanero e hist\u00f3ria comportam. De toda forma, o objetivo dessas cenas e desse contexto \u00e9 sempre em rela\u00e7\u00e3o aos personagens, ao que esse Eduardo precisa ter e ganhar para ter autonomia tanto sobre a M\u00f4nica quanto sobre o av\u00f4 para escolher o seu pr\u00f3prio caminho. Ele est\u00e1 em um momento de d\u00favida, porque se trata de um familiar que ele ama, mesmo que n\u00e3o concorde com ele, criando um conflito real que acontece fora da bolha da internet. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"527\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?resize=790%2C527&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30373\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?resize=2048%2C1365&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Eduardo-e-Monica-parque_credito_-Janine-Moraes-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tem pessoas que voc\u00ea admirou a vida inteira e agora est\u00e3o defendendo coisas que voc\u00ea acha incab\u00edveis. Tem algo muito humano que nasce nessas rela\u00e7\u00f5es a partir desses conflitos ideol\u00f3gicos que me interessa. Esse \u00e9 o mundo real e o fato do filme se passar nos anos 80, um mundo sem redes sociais, nos facilitou entrar na realidade dessas rela\u00e7\u00f5es de forma mais profunda.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C: O que significa para voc\u00ea conseguir lan\u00e7ar um filme no Brasil de hoje, cuja cultura do cinema, sobrevivente de uma pandemia e de um governo reacion\u00e1rio, est\u00e1 ressurgindo aos poucos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>RS:<\/strong> Eu fiquei muito chateado quando o filme n\u00e3o foi lan\u00e7ado em 2020. N\u00f3s exibimos o filme no Festival Internacional de Miami alguns dias antes da pandemia come\u00e7ar e foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel ver pessoas que se emocionaram sem saber nada da m\u00fasica. Est\u00e1vamos com v\u00e1rios festivais engatilhados, mais de 15 convites, e tivemos que abrir m\u00e3o de todos. Mas acho que agora, talvez, o filme signifique ainda mais. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-30384\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?w=2560&amp;ssl=1 2560w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?resize=2048%2C1152&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?resize=1920%2C1080&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/25_3-1-scaled.jpg?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00f3s passamos por tanta coisa dif\u00edcil e, por ser um filme t\u00e3o caloroso e amoroso, acredito que possa ser uma boa escolha para quem decidir ir ao cinema. \u00c9 um chance de se reencontrar com a emo\u00e7\u00e3o que \u00e9 estar no escurinho com um filme que vai te dar um abra\u00e7o depois de tudo o que o brasileiro passou nessa pandemia. Precisamos de um pouco de al\u00edvio e <em>\u201cEduardo e M\u00f4nica\u201d<\/em> \u00e9 um filme que nos deixa para cima. \u00c9 com esse sentimento que talvez devemos come\u00e7ar 2022, buscando um futuro melhor com uma nova esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em conversa com o Cinematologia, Ren\u00e9 Sampaio conversou sobre o processo criativo do longa &#8221;Eduardo e M\u00f4nica&#8221;, a sua rela\u00e7\u00e3o com a banda Legi\u00e3o Urbana e a import\u00e2ncia de falar sobre temas como ditadura militar e conservadorismo no Brasil de hoje.<\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":30386,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2695,279],"tags":[119,5241,5242],"class_list":["post-30370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-festival-do-rio","category-noticias","tag-cinema-brasileiro","tag-gabriel-leone","tag-rene-sampaio"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Entrevista | Diretor Ren\u00e9 Sampaio fala sobre levar &#039;&#039;Eduardo e M\u00f4nica&quot; 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