{"id":28143,"date":"2021-05-17T12:36:29","date_gmt":"2021-05-17T15:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=28143"},"modified":"2021-05-17T12:57:24","modified_gmt":"2021-05-17T15:57:24","slug":"a-vivacidade-da-velhice-feminina-no-cinema-latino-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/a-vivacidade-da-velhice-feminina-no-cinema-latino-americano\/","title":{"rendered":"A vivacidade da velhice feminina no cinema latino-americano"},"content":{"rendered":"\n<p>Qual o limite da longevidade? Se for pensar em termos te\u00f3ricos, estudos apontam para uma m\u00e9dia entre 60 e 80 anos na Am\u00e9rica Latina. Na pr\u00e1tica, a realidade \u00e9 outra, principalmente pelos olhos de uma mulher. Diante de uma sociedade mis\u00f3gina e conservadora, polu\u00edda por ideais que servem apenas para inferiorizar o ser humano a servi\u00e7o de uma cultura capitalista e homog\u00eanea, as mulheres a partir, digamos, dos seus 50 anos s\u00e3o esquecidas em sua plenitude da sociedade. Suas presen\u00e7as tornam-se limitadas \u00e0 imposi\u00e7\u00f5es sociais, como ser av\u00f3, ter um casamento duradouro, sofrer com a menopausa, preparar a aposentadoria, e suas inst\u00e2ncias b\u00e1sicas enquanto seres humanos pensantes, como desejos, sonhos e pensamentos, s\u00e3o descartados. N\u00e3o \u00e9 uma mera coincid\u00eancia, portanto, n\u00e3o haver um n\u00famero satisfat\u00f3rio de obras que representem as diferentes facetas desta fase da vida feminina. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, algumas obras voltaram o seu olhar para este rico momento, quase como um renascimento feminino diante de todos os obst\u00e1culos f\u00edsicos e sociais, uma reinven\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser mulher e humano, e se propuseram a explorar este universo: o dominicano <em>D\u00f3lares de Areia<\/em>, o chileno <em>Gloria<\/em>, o paraguaio <em>As Herdeiras<\/em> e o brasileiro <em>Aquarius<\/em> s\u00e3o alguns desses exemplos que ousaram e criaram roteiros, com certos simbolismos, que elevam as particulares de cada personagem, mostrando que n\u00e3o h\u00e1 um jeito certo de viver a meia ou terceira idade. Em comum, estes filmes trataram de utilizar os significados simb\u00f3licos e literais da dan\u00e7a e do sexo\/intimidade. Desde que a sociedade entende-se como tal, h\u00e1 uma constru\u00e7\u00e3o em torno do sexo que o coloca enquanto transi\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia para o amadurecimento, de uma moeda que invalida o valor de uma mulher. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando, ent\u00e3o, a pr\u00e1tica sexual \u00e9 iniciada, ela n\u00e3o serve aos desejos femininos: \u00e9 apenas um caminho para reproduzir os padr\u00f5es machistas: engravidar, ser m\u00e3e e oferecer prazer ao homem. Uma mulher que assume uma postura contr\u00e1ria da imposta, \u00e9 logo silenciada e difamada. Afinal, est\u00e1 ousando de uma liberdade que n\u00e3o lhe pertence. \u00c9 um julgamento preto no branco, ponto final. Nos filmes citados acima, esse jogo se inverte e o sexo ganha outros significados sociais e individuais. S\u00e3o ferramentas de conhecimento pr\u00f3prio e de empoderamento.\u00a0Em <em>Aquarius<\/em>, filme dirigido por Kleber Mendon\u00e7a Filho, que aborda a luta de Clara contra o sistema mobili\u00e1rio em prol da preserva\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio no qual mora e \u00e9 visto como monumento hist\u00f3rico, a personagem de S\u00f4nia Braga \u00e9 independente em muitos sentidos da palavra. Sua trajet\u00f3ria desde o in\u00edcio \u00e9 marcada por uma irrever\u00eancia e consci\u00eancia de si, de modo que ela sempre defende seu lugar na sociedade, seus pensamentos e desejos. Contra a mar\u00e9 do moralismo barato, Clara \u00e9 uma mulher que abra\u00e7a a sua sexualidade e n\u00e3o tem a m\u00ednima inten\u00e7\u00e3o de abandon\u00e1-la. Sua libido \u00e9 uma das suas caracter\u00edsticas que refletem na discuss\u00e3o contempor\u00e2nea acerca da liberdade sexual feminina. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Cena Sonia Braga dan\u00e7ando sozinha ao som de Roberto Carlos (Aquarius Filme)\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SbEkAPgNAgQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Em uma das cenas, a personagem convida um garoto de programa para ir \u00e0 sua casa, uma atitude que por si poderia ser vista sob maus olhares. Em controle total do seu objetivo para a noite, Clara n\u00e3o perde tempo e faz quest\u00e3o de deixar claro quem estar\u00e1 dando as cartas naquela noite. Sentados no sof\u00e1, os dois conversam rapidamente antes do in\u00edcio do sexo e suas palavras definem o tom da cena. Com uma ta\u00e7a de vinho na m\u00e3o, s\u00edmbolo da liberdade dionis\u00edaca, ela, em total compreens\u00e3o do seu poder enquanto contratante do servi\u00e7o, diz \u201cEu quero que voc\u00ea v\u00e1 para embora\u201d, surpreendendo o prostituto. Essa frase \u00e9 um ind\u00edcio da vantagem da personagem sob o outro, o que inverte as no\u00e7\u00f5es predispostas do ser mulher e ser homem. Na maioria das vezes, \u00e9 o homem que tem o poder de comprar o prazer da mulher por meio da prostitui\u00e7\u00e3o, seja ela de luxo ou n\u00e3o, de modo que pouco fala-se da situa\u00e7\u00e3o inversa para al\u00e9m dos questionamentos v\u00e1lidos sobre o efeito da profiss\u00e3o em si. <\/p>\n\n\n\n<p>Logo depois, Clara o desafia ao dizer \u201cEu quero que voc\u00ea me coma\u201d, reafirmando a ideia de que o homem esta noite \u00e9 apenas um joguete em sua m\u00e3o. Vestida em apenas uma blusa branca, ela senta em seu colo para iniciar o coito que \u00e9 representado de forma muito realista e coerente para a idade dela: ele cospe em sua m\u00e3o para esfregar no \u00f3rg\u00e3o genital, criando a lubrifica\u00e7\u00e3o que o corpo feminino j\u00e1 n\u00e3o produz com tanta efic\u00e1cia. Apesar de passar despercebido por muitos, este detalhe atenta para o fato de que, apesar das dificuldades corporais oriundas do envelhecimento, nada h\u00e1 de impedir que ela suprima o seu desejo ao mesmo tempo que reafirma a sua idade, normalizando-a e evidenciando uma vivacidade que muitos relacionam apenas com a juventude.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dado momento, o jovem tenta acariciar os seios de Clara, que o impede direcionando ao seio esquerdo por conta de uma mastectomia. De forma muito natural e honesta, a cena mostra que Clara est\u00e1 confort\u00e1vel em seu corpo e a escolha de n\u00e3o exibir suas cicatrizes n\u00e3o \u00e9 um ato de fraqueza ou vergonha, mas sim de privacidade. \u00c9 algo que apenas diz respeito a ela e em nenhum momento diminui a sua feminilidade, algo que nesses casos \u00e9 constantemente invalidada. Pelo elemento do sexo, que \u00e9 apresentado sem nenhum teor \u00edntimo, o roteiro constr\u00f3i uma personagem que usufrui do seu direito de liberdade e exalta a personalidade desta mulher que \u00e9 independente, com fortes opini\u00f5es sobre o mundo ao seu redor e com controle total de diversos aspectos da sua vida que para muitas \u00e9 negada. Aqui, o sexo \u00e9 um elemento que contribui para o paralelo entre o controle pessoal e coletivo por parte de Clara. J\u00e1 em <em>Gloria<\/em>, cuja dire\u00e7\u00e3o \u00e9 assinada por Sebasti\u00e1n Lelio, o sexo tem uma conota\u00e7\u00e3o um tanto quanto diferente, embora ainda caminhe na linguagem libert\u00e1ria. <\/p>\n\n\n\n<p>No auge dos seus 58 anos, Gloria, vivida por Paulina Garcia, \u00e9 uma mulher que, divorciada h\u00e1 mais de 10 anos, segue uma vida solit\u00e1ria e, no entanto, consegue se manter esperan\u00e7osa em busca de mais um grande amor entre as idas aos bailes de dan\u00e7a. Uma noite, a personagem conhece Rodolfo, com quem come\u00e7a um romance marcado por clich\u00eas, aventuras, decep\u00e7\u00f5es e, acima de tudo, entrega. Uma das cenas mais marcantes da rela\u00e7\u00e3o dos dois e que reflete muito essa postura destemida da personagem, que na primeira oportunidade se aventurou em bungee jumps e paintballs, acontece em um quarto de hotel durante uma viagem do casal. Cansada de insistir para que Rodolfo imponha mais limites entre ele e sua ex-mulher, Gloria desiste de ir embora quando o parceiro assume uma atitude mais assertiva. Assim como Clara, visto que a rea\u00e7\u00e3o do homem foi por conta da sua imposi\u00e7\u00e3o, Gloria se sente validada ao ter seus sentimentos respeitados e assume tamb\u00e9m total controle da situa\u00e7\u00e3o. De frente para ele, a mulher fica completamente despida, com todos os efeitos do tempo no seu corpo a mostra, como uma reafirma\u00e7\u00e3o da sua forte presen\u00e7a enquanto uma mulher com quase 60 anos. A ideia que transpassa pela cena \u00e9 de s\u00faplica ao mesmo tempo que \u00e9 de uma entrega extremamente empoderadora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"268\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/tumblr_3220d0a2231e556b04078b4a0c2e1a5d_e2abaf57_640-1.jpg?resize=640%2C268&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-28158\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A personagem desafia o parceiro a enxerg\u00e1-la exatamente como ela \u00e9, sem mais nem menos, pois seu corpo, sua alma, \u00e9 tudo o que ela tem a oferecer e s\u00e3o entradas para algo muito maior que ambos podem viver. A sexualidade em si torna-se secund\u00e1ria e oferece espa\u00e7o para uma intimidade, para um desejo de estar com o outro n\u00e3o s\u00f3 fisicamente como espiritualmente. Diferente de <em>Aquarius<\/em>, o filme de Lelio aborda a naturaliza\u00e7\u00e3o do corpo e o controle sobre o pr\u00f3prio corpo a partir de um outro vi\u00e9s, embora tamb\u00e9m baseado no realismo. Sem simbolismos po\u00e9ticos, a escolha de n\u00e3o exibir naquele momento uma parte do corpo de Clara mostra, de forma pr\u00e1tica, que ter conhecimento daquilo seria uma exibi\u00e7\u00e3o sem prop\u00f3sito, pois o encontro era apenas carnal e poderia ser alcan\u00e7ado sem que ela tivesse que despir suas intimidades. Em contrapartida, a poesia do filme chileno \u00e9 sutil e ao mesmo tempo grandiosa: o corpo nu da personagem ecoa o descortinamento de quaisquer cortinas entre os dois; \u00e9 uma quebra das barreiras emocionais que pudessem entrar entre os dois. <\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>As Herdeiras<\/em>, de Marcelo Martinessi, o desejo sexual j\u00e1 \u00e9 explorado por uma via ainda menos explorada no cinema e na vida real: pelo ato da masturba\u00e7\u00e3o, ainda visto como um tabu. Chela, interpretada por Ana Brun, \u00e9 uma mulher provavelmente na faixa dos 60 anos que precisa reinventar a sua vida quando sua parceira de anos \u00e9 presa por ac\u00famulo de d\u00edvidas. Para conseguir arcar com as demandas financeiras, ela, por conta de uma observa\u00e7\u00e3o de uma amiga, vira taxista e em durante uma das tardes de trabalho conhece a jovem Angy. As duas logo se conectam e o vigor da jovem come\u00e7a a influenciar nos interesses e sentimentos da mais velha. Em uma das cenas, logo ap\u00f3s alguns momentos de tens\u00e3o sexual, como quando Angy ensina Chela a tragar um cigarro no carro, de modo que as duas trocam olhares em um clima sensual atribu\u00eddo ao fumo, a mais velha se masturba antes de dormir. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7OKEFYJKTRFQPBN3544IIWMUTI.jpg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-28160\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7OKEFYJKTRFQPBN3544IIWMUTI.jpg?w=1432&amp;ssl=1 1432w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7OKEFYJKTRFQPBN3544IIWMUTI.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O ato, em sua primeira inst\u00e2ncia, \u00e9 uma forma de reconhecimento da libido, que \u00e9 despertada por esta nova rela\u00e7\u00e3o com a qual Chela percebe que ainda tem desejos que, na correria da vida, foram esquecidos no meio do caminho. \u00c9 como se Angy fosse um espelho de Chela que constantemente a faz relembrar de quem ela j\u00e1 foi um dia e que, se ela ainda \u00e9 capaz de sentir certas emo\u00e7\u00f5es, \u00e9 sinal de que ainda h\u00e1 tempo de viver. Al\u00e9m disso, a masturba\u00e7\u00e3o, embora seja um reconhecimento direto da sexualidade da personagem, \u00e9 uma forma tamb\u00e9m que o roteiro encontra, implicitamente, de mostrar como a personagem \u00e9 reprimida, tendo que recorrer a este ato solo porque ainda tem amarras que a impedem de agir sobre essas vontades que est\u00e3o retornando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que h\u00e1 a \u00e2nsia, h\u00e1 inseguran\u00e7as que foram acumuladas com o decorrer da vida e n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis de serem descartados. A linguagem corporal da personagem refor\u00e7a ainda mais essa no\u00e7\u00e3o: sentada, com uma luz quente no canto da cama acesa, em uma posi\u00e7\u00e3o retida de costas para a c\u00e2mera. \u00c9 um retrato do desconforto, que fica claro que n\u00e3o \u00e9 algo que ela performa com frequ\u00eancia, e da sensa\u00e7\u00e3o de inferioridade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Angy. Afinal, ela se enxerga como uma senhora que nada ter\u00e1 para oferecer a esta jovem. \u00e9 uma senhora e, portanto, n\u00e3o ter\u00e1 nada a oferecer para esta jovem. Com todas essas nuances, o simbolismo da masturba\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente ressignificado para al\u00e9m do sentido relacionado \u00e0 descoberta do seu corpo na adolesc\u00eancia e da libido excessiva durante grande parte da juventude e in\u00edcio da fase adulta. Neste filme, a performance masturbat\u00f3ria evidencia que a personagem, apesar do medo, est\u00e1 disposta a reconhecer o seu corpo e todas as sensa\u00e7\u00f5es que transpassam por ele. Assim como os jovens, as mulheres na terceira idade precisam compreender, novamente, o funcionamento do seu corpo e qual a melhor forma de lidar com ele. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"As Herdeiras | Trailer Legenda\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J3OP1Wd1-2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 como um renascimento, um despertar de uma vivacidade que est\u00e1 morta dentro dela. \u00c9 o primeiro passo para ela ir ao reencontro de si mesma e, embora ela n\u00e3o consiga se entregar a ponto de praticar o coito, j\u00e1 \u00e9 o bastante para que ela comece a ver o mundo a partir de novas perspectivas, de impulsos que ainda v\u00e3o permitir que ela viva de forma plena os anos que ainda lhe restam. Ela sabe agora que \u00e9 capaz de sentir como qualquer ser humano, independente de idade. Distante da representa\u00e7\u00e3o de todos os outros tr\u00eas filmes, o dominicano <em>D\u00f3lares de Areia<\/em>, de Laura Amelia Guzm\u00e1n e Israel C\u00e1rdenas, aborda a desigualdade social do local por meio de um relacionamento homoafetivo e se debru\u00e7a sobre uma sutileza que faz do sexo uma porta de entrada para uma intimidade que se manifesta para al\u00e9m do encontro literal dos corpos. Juntas, a jovem Noemi e Anne, uma francesa de bastante idade pertencente da classe alta interpretada por Geraldine Chaplin, mant\u00e9m um jogo de interesses: solit\u00e1ria, a mais velha contrata os servi\u00e7os de acompanhante da jovem e acaba se apaixonando por ela, mesmo sabendo que Noemi n\u00e3o necessariamente retribui o sentimento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"630\" height=\"405\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/345006.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg?resize=630%2C405&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-28166\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Durante todo o filme, no entanto, h\u00e1 detalhes que evidenciam sentimentos que permeiam o envelhecimento, principalmente com rela\u00e7\u00e3o a solid\u00e3o enquanto ainda h\u00e1 o desejo de se ter algu\u00e9m ao seu lado para criar novas mem\u00f3rias. Entre as cenas, como elas nadando juntas no rio, caminhando pela praia ou andando de moto abra\u00e7adas, algumas se destacam pela delicadeza e pela pot\u00eancia emotiva que carrega. No quarto, Anne, completamente nua, filmada de costas, evidenciando a fragilidade de seu corpo, deita no colo de Noemi, que come\u00e7a a fazer carinho no seu cabelo. Para al\u00e9m do di\u00e1logo, no qual elas comentam sobre cansa\u00e7o e sair para o centro, a cena mostra como Anne se sente confort\u00e1vel ao lado da jovem e que, apesar da diferen\u00e7a de idades, n\u00e3o tem inibi\u00e7\u00e3o alguma em mostrar o seu corpo como ela \u00e9. Uma intimidade que vale para Anne muito mais do que qualquer encontro sexual. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o fato de ser tocada com carinho, de se sentir segura ao lado daquela pessoa, de ter algu\u00e9m com quem confiar as banalidades do dia, que impregnam o seu corpo com um frescor de vida e paix\u00e3o que anulam, nem que seja somente por alguns momentos, a constante solid\u00e3o da velhice. Ela se sente vista pela \u00fanica pessoa que ela quer que a veja e, por isso, n\u00e3o importa se o espectador n\u00e3o est\u00e1 vendo por completo. \u00c9 algo que pertence somente a elas duas. A rela\u00e7\u00e3o das duas o tempo inteiro \u00e9 pautada pelo primor dos detalhes e suas simbologias para al\u00e9m do que \u00e9 dito explicitamente. Quando elas est\u00e3o em um lago, sozinhas, h\u00e1 uma beleza em ver as duas compartilhando a vida, compartilhando elas mesmas. As duas entram no lago de m\u00e3os dados, como um ato de carinho e convite para viverem momentos simples da vida. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"SAND DOLLARS Trailer | Festival 2014\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9HeEPnn7ioE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A intimidade \u00e9 representada a alegria, confian\u00e7a e reconhecimento enquanto ser humano que Anne vive com a jovem. O lago, junto a esse nado compartilhado, tamb\u00e9m incita certas simbologias que fortalecem essa troca pessoal entre duas, como a imagem de renova\u00e7\u00e3o e paz que naquele espa\u00e7o ainda \u00e9 de direito completo de Anne. Elas nadam como se n\u00e3o tivessem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o no mundo, a n\u00e3o ser permitir que elas vivam esse momento em todo seu esplendor sem as censuras da vida real com rela\u00e7\u00e3o a elas serem um casal de uma idosa e jovem que vende a sua companhia. Assim como o sexo\/intimidade, a dan\u00e7a promove diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto. Enquanto uma atividade pautada no movimento, a disposi\u00e7\u00e3o do corpo pode exprimir a ideia de liberdade, controle, insanidade, autoconhecimento, sensualidade e assim por diante. <\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria dos filmes analisados, a dan\u00e7a \u00e9 inserida mais de uma vez com o mesmo prop\u00f3sito de retratar as nuances da personalidade de cada personagem. Em <em>Aquarius<\/em>, Clara, sozinha em casa, coloca Roberto Carlos para tocar e come\u00e7a a dan\u00e7ar sozinha, de forma lenta, crescente e serena. Considerando todo o background da personagem, cujo alguns elementos foram citados acima, a movimenta\u00e7\u00e3o mostra como ela se sente em paz com a sua companhia e n\u00e3o tem uma necessidade de ter algu\u00e9m constantemente ao seu lado. Sua presen\u00e7a, enquanto mulher no auge da sua terceira idade, \u00e9 suficiente para ela mesma, para sua felicidade, e quando h\u00e1 um desejo maior, como transar, h\u00e1 sempre outros meios para obt\u00ea-lo. Al\u00e9m de potencializar essa individualidade, o fato dela estar dan\u00e7ando ao som de uma m\u00fasica antiga pontua ainda mais a conex\u00e3o que ela tem com o seu passado, com a sua hist\u00f3ria, com momentos que a fizeram quem ela \u00e9. <\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o anula o que j\u00e1 viveu, pois \u00e9 preciso olhar para tr\u00e1s para continuar a transforma\u00e7\u00e3o enquanto ser humano, aprendendo com os erros, acertos e viv\u00eancias gerais. Aqui, de forma menos expl\u00edcita do que a luta da personagem em manter uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de p\u00e9 como resqu\u00edcio de um tempo que j\u00e1 passou, esse elemento do roteiro remete ao tra\u00e7o revolucion\u00e1rio da personagem: assim como ela resiste pela preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do seu bairro, ela tamb\u00e9m se resigna a acharem que velhice \u00e9 sin\u00f4nimo de depend\u00eancia, acomoda\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia. Mais do que nunca, pode ser um momento de valorizar e evoluir quem se \u00e9. Afinal, assim como na contemporaneidade, s\u00f3 h\u00e1 crescimento existe se houver respeito e reconhecimento do passado. Em <em>As Herdeiras<\/em>, a dan\u00e7a tem o mesmo teor de leveza que no brasileiro.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser uma cena r\u00e1pida, que passa despercebida por olhares distra\u00eddos, quando Chiquita, que ser\u00e1 presa, dan\u00e7a no quarto h\u00e1 uma refer\u00eancia \u00e0 despreocupa\u00e7\u00e3o da personagem. Ela dan\u00e7a porque est\u00e1 em paz, porque n\u00e3o tem medo e, mais importante, porque ainda est\u00e1 viva. O fato dela ir presa n\u00e3o ir\u00e1 anular isso e ela enxerga esse rev\u00e9s como apenas mais um contratempo que faz parte da vida. \u00c9 uma representa\u00e7\u00e3o da sua personalidade desprendida, otimista e corajosa, que muitos acreditam que \u00e9 esvaecida pelo tempo, como se apenas jovens pudessem ter o direito de arriscar, errar, aprender com o erro e ansiar por dias melhores e mais oportunos. Para Chiquita, sua dan\u00e7a \u00e9 a esperan\u00e7a viva de que tudo ir\u00e1 passar e ela n\u00e3o precisa perder o bom humor, o olhar entusiasmo e o deleite pela vida por conta disso. No filme de Sebasti\u00e1n Lelio, a dan\u00e7a \u00e9 um hibridismo das nuances exploradas nas duas obras. Se em grande parte do filme a arte era usada como uma forma de controle sobre a aquisi\u00e7\u00e3o do romance e de representa\u00e7\u00e3o da personagem, na cena final era \u00e9 atribu\u00edda de um significado totalmente diferente. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Gloria (escena final)\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iRJpbTFezoE?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>No meio dos convidados do casamento da filha da sua melhor amiga, Gloria, ao som da m\u00fasica hom\u00f4nima, lentamente vai se soltando no ritmo da can\u00e7\u00e3o, como se estivesse em um processo de liberta\u00e7\u00e3o de todo o peso que carregou consigo durante todos os anos em busca de de um romance e do romance em si com Rodolfo. Dessa vez, ela dan\u00e7a sozinha e se sente completa. Ela percebe que n\u00e3o precisa necessariamente estar com algu\u00e9m para sentir \u00edntegra; sua presen\u00e7a basta para lhe dar esperan\u00e7a no futuro, desde que ela nunca se abandone e deposite a sa\u00edda para a solid\u00e3o necessariamente em um amor. Ela pode viver todas as aventuras que se prop\u00f5e sozinha, com amigas e, se assim for, com um parceiro ao seu lado. \u00c9 um momento libertador para ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na vida e no cinema, as mulheres de meia idade n\u00e3o recebem a representatividade que merecem no cinema latino-americano, mas alguns tesouros escondidos, como Gloria e As Herdeiras, v\u00e3o contra a mar\u00e9 padronizada. 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