{"id":27477,"date":"2021-04-06T13:39:03","date_gmt":"2021-04-06T16:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=27477"},"modified":"2021-04-06T13:39:07","modified_gmt":"2021-04-06T16:39:07","slug":"critica-below-her-mouth-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-below-her-mouth-2016\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Below Her Mouth (2016)"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align:left\">Nota do Filme:<br\/><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12251\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" height=\"60\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota10.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br\/><\/h3>\n\n\n\n<p>Quantidade realmente n\u00e3o significa qualidade. Essa frase foi usada tantas vezes, em tantos contextos, mas me pergunto se algu\u00e9m j\u00e1 a tenha relacionado a quest\u00e3o de representatividade no cinema. Afinal, se estamos falando de identidades de minorias na tela, n\u00e3o deveria haver limites. Quanto mais, melhor &#8211; ainda mais se falando de grupos que tiveram que lutar para serem ao menos um. No entanto, \u00e9 preciso um certo cuidado e aten\u00e7\u00e3o ao pensar nesta quest\u00e3o, principalmente ao tratar-se do cinema queer, em espec\u00edfico o l\u00e9sbico.<\/p>\n\n\n\n<p> H\u00e1 alguns anos, o cinema contempor\u00e2neo, em destaque para o segmento independente e cult, tem preenchido certas lacunas ao levar para as grandes telas as viv\u00eancias ou ao menos personagens dessa comunidade. O problema \u00e9 que todos parecem nascer de uma mesma f\u00f3rmula estereotipada e sexualizada, perpetuando clich\u00eas que ferem a luta. Vemos aqui, portanto, o efeito contr\u00e1rio da tal representatividade, muito presente no filme Below Her Mouth.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado em 2016, a obra causou um certo alvoro\u00e7o pelos festivais por onde passou pelos motivos mais errados. Dirigido por April Mullen, muitos esperavam que o romance entre Dallas (Erika Linder) e Jasmine (Natalie Krill) seria, finalmente, retratado de forma exemplar e digna de ser visto como refer\u00eancia na cinematografia queer. No entanto, ao inv\u00e9s de se aproveitar do olhar feminino, a diretora se entregou ao po\u00e7o das f\u00f3rmulas desgastadas, criando mais um filme que nada tem a dizer sobre os personagens ou sobre o mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>O filme acompanha Dallas, uma l\u00e9sbica tomboy que n\u00e3o tem a m\u00ednima pretens\u00e3o de se comprometer com nada al\u00e9m da sua libido e liberdade, e Jasmine, uma editora de moda h\u00e9tero que vive um relacionamento sem gra\u00e7a e emocionalmente negligente. Carpinteira, Dallas trabalha em uma casa ao lado de Jasmine e desde sempre tinha interesse nela, at\u00e9 que um dia elas se encontram em uma festa para mulheres e come\u00e7am, num estalar de dedos, um romance.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os 90 minutos de filme, \u00e9 exatamente apenas isso que assistimos. N\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento dos personagens, das suas quest\u00f5es pessoais, do mundo ao seu redor. Nada acontece a n\u00e3o ser uma quantidade anormal de sexo. As duas personagens s\u00e3o um reflexo da aus\u00eancia de qualquer psicologiza\u00e7\u00e3o das figuras femininas, conceito muito presente nas obras do cinema cl\u00e1ssico. Suas presen\u00e7as parecem exercer a mera fun\u00e7\u00e3o de confirmar um estere\u00f3tipo que, apesar de existir no mundo real, n\u00e3o necessariamente \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o do todo &#8211; os outros tantos filmes que vieram antes j\u00e1 provaram a teoria o suficiente. <\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, temos Dallas, que foi criada para representar a ideia masculinizada da l\u00e9sbica, que se apropria das posturas impostas \u00e0 masculinidade como se ser atra\u00edda pelo sexo semelhante fosse algo destinado apenas aos homens. \u00c9 preciso ser m\u00e1scula, impositiva, insens\u00edvel e reprimida emocionalmente &#8211; tudo o que se espera de um homem. Do outro, temos Jasmine, essa figura complexada e infeliz no seu casamento, que se desloca pelo mundo da outra personagem de forma vulner\u00e1vel, perdida e curiosa, como se estivesse em busca de uma aventura para se libertar das repress\u00f5es pessoais da vida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"366\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232207.jpg?resize=790%2C366&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-27487\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232207.jpg?w=1398&amp;ssl=1 1398w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232207.jpg?resize=768%2C355&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em todas as cenas de introdu\u00e7\u00e3o do universo de cada uma e a constru\u00e7\u00e3o da hibridez espacial das duas, os elementos da mise-en-scene s\u00e3o introduzidos apenas com esse prop\u00f3sito de perpetua\u00e7\u00e3o. Logo nos primeiros minutos de filme, Dallas \u00e9 apresentada em uma cena expl\u00edcita de sexo que \u00e9 marcada pela frieza e da desconex\u00e3o da personagem com o ato e com a pessoa com a qual ela divide o momento. Al\u00e9m do fato dela nem olhar para o rosto da jovem durante o ato e assumir uma postura fr\u00edgida, antes de ir embora, a mulher pergunta \u201cDid you come?\u201d, j\u00e1 explicitando a caracter\u00edstica sexual da personagem. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se o sexo fosse a \u00fanica arma que a pretendente tinha contra ela, para que pudesse mant\u00ea-la interessada em v\u00ea-la. N\u00e3o h\u00e1 nada errado em apontar algu\u00e9m como um ser humano sexual, o problema, no entanto, \u00e9 que parece que esta \u00e9 a sua \u00fanica camada durante todo o filme. Nas cenas seguintes, vemos a personagem constantemente tratando outras mulheres como encontros descart\u00e1veis, como obten\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis que sempre v\u00e3o estar aos seus p\u00e9s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1_DwjgX4Cm1Xi99NsQYN7-mQ.jpeg?resize=790%2C444&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-27485\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1_DwjgX4Cm1Xi99NsQYN7-mQ.jpeg?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1_DwjgX4Cm1Xi99NsQYN7-mQ.jpeg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/1_DwjgX4Cm1Xi99NsQYN7-mQ.jpeg?resize=1536%2C864&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Jasmine, \u00e9 representada o tempo todo com uma delicadeza quase que ofensiva, como se fosse uma mulher \u00e0 espera de uma aten\u00e7\u00e3o para que a sua exist\u00eancia seja validada. Sua primeira cena, em contraste com a de Dallas, \u00e9 dela na sala com o noivo em um momento de relaxamento entre os dois. Enquanto ele descansa, ela, sentada em cima dele, pinta as unhas dele e, ao acord\u00e1-lo, inicia uma poss\u00edvel noite de sexo entre os dois. No entanto, o noivo percebe a pintura das unhas e se sente desconfort\u00e1vel, tendo usado inclusive a palavra \u201cviolado\u201d, como se fosse uma grande afronta a sua ideia socialmente constru\u00edda de masculinidade. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que a noite termina com um tom de desconforto e Jasmine se sentindo solit\u00e1ria. O importante aqui \u00e9 perceber a constru\u00e7\u00e3o da personagem: a pintura das unhas representa um atitude fetichista; a inicia\u00e7\u00e3o do coito ap\u00f3s esse ato a sexualiza\u00e7\u00e3o; e a rejei\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia de conex\u00e3o emocional entre ambos. Todos esses elementos reunidos representam a grande mulher h\u00e9tero que ir\u00e1 amea\u00e7ar a estabilidade do mundo da homossexual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O relacionamento das duas \u00e9 composto totalmente por esses elementos e n\u00e3o consegue se desenvolver para algo mais al\u00e9m, limitando a complexidade das din\u00e2micas para al\u00e9m da grande tela j\u00e1 que a \u00fanica coisa que mant\u00eam uma conectada \u00e0 outra \u00e9 a novidade sexual entre elas. Ouso dizer que 90% das cenas entre as duas s\u00e3o delas transando, direcionando um filme para uma \u00f3tica romantizada da pornografia. Surpreendentemente, j\u00e1 que trata-se de uma diretora mulher, as cenas de sexo entre as duas mulheres colocam seus corpos em posi\u00e7\u00f5es extremamente prevalecidas pela cinematografia. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"438\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232133.jpg?resize=790%2C438&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-27488\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232133.jpg?w=1562&amp;ssl=1 1562w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232133.jpg?resize=768%2C426&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Captura-de-tela-2021-04-05-232133.jpg?resize=1536%2C852&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Se por um lado tem-se a tentativa &#8211; falha &#8211; de naturalizar o corpo feminino ao exibir cenas das personagens trocando de roupa e deitadas nuas, por exemplo, do outro n\u00e3o h\u00e1 como fugir da constante escopofilia filmada. Gravadas em sons diretos, amplificando os sons de gemidos e do contato corporal, as cenas se utilizam de planos abertos e close-ups dos corpos, reutilizando a f\u00f3rmula presente, novamente, em filmes cl\u00e1ssicos na \u00e9poca de enaltecimento do feminino por meio da presen\u00e7a de grandes atrizes hollywoodianas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estes momentos, que deveriam representar ao menos uma certa intimidade privada &#8211; j\u00e1 que o relacionamento das duas \u00e9 uma trai\u00e7\u00e3o ao noivo de Jasmine &#8211; entre as duas, torna-se um espet\u00e1culo voyeur\u00edstico e er\u00f3tico. As escolhas cinematogr\u00e1ficas n\u00e3o mostram nada al\u00e9m de seus corpos nus: os close-ups quebram com a ideia da Renascen\u00e7a em favor da fetichiza\u00e7\u00e3o extrema dessa rela\u00e7\u00e3o, de modo que a narrativa, aqui simplista e oca, \u00e9 deixada em segundo plano para que o prazer visual assuma o controle e enalte\u00e7a os desejos e as fantasias de quem assiste. <\/p>\n\n\n\n<p>As filmagens sexuais s\u00e3o uma verdadeira performance, um espet\u00e1culo pornogr\u00e1fico, e os destaques de seus \u00f3rg\u00e3os genitais e o movimento dos mesmos em conjunto s\u00e3o a t\u00f4nica do filme, refor\u00e7ando uma ideia de que os encontros homoafetivos s\u00e3o apegados somente ao f\u00edsico. Vale ressaltar que o problema em si n\u00e3o s\u00e3o os close-ups, mas sim a mise-en-place dos mesmos, que remetem, de forma inferior e oposta, ao uso feito por \u00c0gnes Varda, por exemplo, em \u201cAs Duas Faces da Felicidade\u201d. Ao filmar a cena de sexo entre os dois amantes, Varda se utiliza de planos de destaque de suas m\u00e3os, corpos entrela\u00e7ados, peitos, m\u00e3os, trazendo uma poesia e valoriza\u00e7\u00e3o daquela troca.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Preso nessa estagna\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00e3o criativa e construtiva, o filme n\u00e3o consegue conceber qualquer ritmo e equil\u00edbrio para que ao menos isso pudesse prender o espectador. Desde o primeiro minuto, j\u00e1 \u00e9 apresentado todos os elementos e informa\u00e7\u00f5es das personagens, afinal, j\u00e1 n\u00e3o eram muitas para in\u00edcio de conversa, e todo o desenrolar da hist\u00f3ria torna-se previs\u00edvel e sem gra\u00e7a. At\u00e9 mesmo a fotografia, que de in\u00edcio \u00e9 um acalento aos olhos do espectador, se adaptando de acordo com os espa\u00e7os exibidos e as energias ali presentes, se transforma em mais um cansa\u00e7o narrativo. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 quase no fim do filme, o roteiro tenta fazer uma virada de curva, um aprofundamento na rela\u00e7\u00e3o de ambas, ao explorar peda\u00e7os do passado de cada um. Descobre-se que Dallas, embora tenha tido pais que a apoiaram quando decidiu assumir sua sexualidade, sofreu quando crian\u00e7a por n\u00e3o ser entendida pelo mundo, e que Jasmine teve uma experi\u00eancia homoafetiva quando jovem que a traumatizou, pois a m\u00e3e descobriu em flagrante. S\u00e3o bons elementos para se trabalhar se j\u00e1 n\u00e3o fosse tarde demais e se n\u00e3o tivessem passado despercebido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"BELOW HER MOUTH | Official US Trailer | Erika Linder, Natalie Krill\" width=\"790\" height=\"444\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yWLnMX5ZfOw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesse momento, seria uma chance de abordar quest\u00f5es de extrema relev\u00e2ncia na discuss\u00e3o queer, como heterossexualidade compuls\u00f3ria, homofobia internalizada, pautas de g\u00eanero, entre outros, trazendo o debate para a contemporaneidade e oferecendo uma import\u00e2ncia ao movimento que cada vez mais tem se esfor\u00e7ado em compreender as suas diversas ramifica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de n\u00e3o mergulhar nessa abertura, que teria dado uma singela significa\u00e7\u00e3o para obra como um todo, a diretora opta por uma abordagem romantizada e um tanto quanto infantil das duas. <\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que ocorrem essas confiss\u00f5es, que s\u00e3o colocadas como algo importante para ambas, principalmente para a personagem da Dallas que \u00e9 reprimida e n\u00e3o compartilha a sua hist\u00f3ria com ningu\u00e9m, o filme passa de uma pornografia para uma f\u00e1bula ao mostrar as personagens em passeios em carrossel de parques, pela praia, trocando fotografias, com uma postura de pr\u00e9-adolescentes acompanhadas de um voice-over de falas como \u201ceu compraria iogurte para voc\u00ea\u201d. Essa linguagem carrega em si uma dualidade que define o filme: o tom infantil, junto \u00e0 sexualiza\u00e7\u00e3o, remete \u00e0 ideia romantizada de um relacionamento que se sustenta somente no sexo, j\u00e1 que moralmente e sentimentalmente nada tem a oferecer; \u00e9 quase como a constru\u00e7\u00e3o de um sonho perfeito de foreplay.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de dirigido por mulher, Below Her Mouth aposta em uma subvers\u00e3o do estigma acerca do sexo entre mulheres e acerta em uma perpetua\u00e7\u00e3o do olhar masculino sobre os corpos em um roteiro extremamente esvaziado 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