{"id":26598,"date":"2021-03-01T20:34:26","date_gmt":"2021-03-01T23:34:26","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=26598"},"modified":"2021-03-01T20:34:30","modified_gmt":"2021-03-01T23:34:30","slug":"critica-gloria-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-gloria-2013\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Gloria (2013)"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">Nota do filme:<br><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" height=\"60\" class=\"wp-image-12257\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota40.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br><\/h3>\n\n\n\n<p>A vida n\u00e3o vem com manual de instru\u00e7\u00f5es. Tampouco \u00e9 t\u00e3o doce quanto receita de bolo. Mas h\u00e1 quem diga que o principal ingrediente \u00e9 n\u00e3o desistir de ser feliz apesar das mazelas da rotina e do correr do tempo. No filme de 2013 do chileno Sebastian L\u00e9lio, Gloria (Paulina Garcia) seria uma dessas pessoas que ainda enxergam a vida sob uma \u00f3tica liberta e prazerosa, mesmo quando tudo parece fluir em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, rumo ao inevit\u00e1vel. Gloria, que nomeia o filme, vive a vida como algu\u00e9m que acabou de descobri-la, com uma vivacidade que h\u00e1 de inspirar mulheres e homens que est\u00e3o na chamada terceira idade. Divorciada h\u00e1 mais de 10 anos, a mulher segue uma vida solit\u00e1ria, na qual mant\u00e9m um emprego tedioso, precisa lidar com as crises do vizinho e sua \u00fanica companhia durante a noite \u00e9 o gato do andar de cima que invade sua casa. E, no entanto, consegue se manter esperan\u00e7osa em busca de mais um grande amor entre as idas aos bailes de dan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/DZK_fmR8LfKPR4ume0yU42DpsGOz-eURmlLSMvgNhMS_6MnRPZt6UvBhtqmXksEeKOe29D_ZHLsZvz2AbM3Kxh3sdv4LxbiiCgkeYT9-SkfRThiBpj9PS9TZWfy6XL-f_RKsGp9m\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante uma das sa\u00eddas, Gloria, ent\u00e3o, conhece Rodolfo (Sergio Hernand\u00e9z), que \u00e0 primeira vista parece preencher todas as lacunas dessa nova fase. No auge dos seus 58 anos, a protagonista leva o espectador nessa sua aventura rom\u00e2ntica marcada por clich\u00eas, decep\u00e7\u00f5es e por uma liberdade espiritual que a encoraja a descobrir o mundo. Sob a minuciosa dire\u00e7\u00e3o de L\u00e9lio, atenta aos elementos de mise-en-scene e seus simbolismos para al\u00e9m dos designados, o espectador se compadece da trajet\u00f3ria da personagem logo nos primeiros minutos de longa, nos quais avista-se Gloria sozinha no bar do baile. Com uma c\u00e2mera distante e de aproxima\u00e7\u00e3o lenta, que captura, primeiramente, o corpo de costas da personagem no meio de um mar de pessoas, \u00e9 como se o diretor estivesse respeitando a sua introspec\u00e7\u00e3o momentos antes de assumir uma postura destemida atr\u00e1s do seu objetivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/BmJeX3iXf1V_1lDEj8k-q8SltlD2Ibdwa7BMwNSc0Ul5g34grnpi-pbLAdtWJQOLNL2ApvbdkJb8qyBwst4THjL8euvM1fK5ZfZRyFLCtMihBmxLlPXjjyjajqyD4KsA1SA5exXd\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Logo depois, o plano fica mais fechado e coloca um holofote no deslocamento da protagonista, de modo a direcionar o olhar sempre para ela e seus pensamentos, mesmo que ela esteja sempre na companhia de uma ou cem pessoas. Deste momento em diante, o espectador se sente c\u00famplice, como um ombro amigo, e torna-se imposs\u00edvel virar os olhos para a honestidade descortinada. Esse tom perpetua todo o restante do filme, que assume o compromisso de ouvir, compreender e, acima de tudo, conhecer Gloria sem nenhum tipo de julgamento ou desonestidade. O espectador aceita toda a sua complexidade, desde a inconst\u00e2ncia emocional at\u00e9 as suas caracter\u00edsticas mais honrosas. A todo momento, Sebastian transita entre planos m\u00e9dios e americanos, raramente utilizando-se de movimentos de c\u00e2mera e close-ups, a fim de capturar e imprimir as verdadeiras emo\u00e7\u00f5es da personagem que surgem na tela de forma espont\u00e2nea e aut\u00eantica em rela\u00e7\u00e3o a si mesma, as pessoas com as quais convive e o espa\u00e7o que habita.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/11ff53zah8u1x_CI3SMkZGuvoXX8oFIhLvBEoOzCY-9f00TLBB0_MNEcwyAUZu3Lw_646WvClP7yMxuAu-jNslVlVTLDfzu_8jquMExcv3RDnKAheI8aaBN2ANBbPszZO4ugOzuB\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao dar essa aten\u00e7\u00e3o a personagem, o diretor materializa Gloria no mundo, tornando todos os seus desejos e pensamentos palp\u00e1veis n\u00e3o s\u00f3 no seu pr\u00f3prio universo como tamb\u00e9m no mundo e evidenciando que uma mulher desta idade ainda existe plenamente e \u00e9 digna de apre\u00e7o. \u00c9 um ser humano que tem um passado assim como tamb\u00e9m possibilidades de um futuro no mesmo lugar que sempre esteve. Ela est\u00e1 presente e n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o alguma de passar despercebida.&nbsp; L\u00e9lio aponta de forma muito coesa e despretensiosa que, embora Gl\u00f3ria preencha alguns pr\u00e9-requisitos do grupo, como ser av\u00f3 e ter problemas na vista, ela tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ser definida pelas pseudo-limita\u00e7\u00f5es da idade. Ela dan\u00e7a, ela trabalha, ela tem curiosidade pelo novo e ela quer amar, transar, se entregar novamente a outra pessoa, mesmo que para isso ela tenha que se decepcionar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/D0gFo9Ts3kfHUTQSapoRb6vVM5jBuDAkBLWjkaDppiWD9rMyNvBGRBsfC59bCBlJcwwaEN_mI20zA_oB7OjcfK4v2spssjUpU2NGTVjXv5bCPx4PI-5_DTkllPCoOHbWSZWCX-Cf\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se ela estivesse passando por um novo processo de redescoberta e autoconhecimento, algo estupidamente relacionado somente \u00e0 juventude. Quando se envolve com Rodolfo, um homem graciosamente desengon\u00e7ado, a personagem expande o seu esp\u00edrito livre e se entrega ao desconhecido. Um dos primeiros encontros do casal, depois de terem se conhecido no baile e terem transado na primeira noite, \u00e9 em um parque de divers\u00f5es onde a dupla passa a tarde pulando de bungee jump e brincando de paintball. Deste modo, o filme contraria a no\u00e7\u00e3o de que envelhecer \u00e9 sin\u00f4nimo de que as mulheres, principalmente, precisam se inserir na caixinha dos padr\u00f5es: ser av\u00f3, se aposentar, sentir saudade dos filhos, viver de encontros semanais com o mesmo grupo de amigas. Em suma, n\u00e3o se arriscar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bonito ver como a personagem vai se despindo cada vez mais, de forma extremamente vulner\u00e1vel e crua, conforme vai tendo mais uma chance de viver a sua vida ao extremo. A presen\u00e7a de Gloria \u00e9 sempre latente e Seb\u00e1stian n\u00e3o deixa nunca escapar a oportunidade de registr\u00e1-la em toda sua potencialidade. O que deve ser uma das cenas mais marcantes do filme \u00e9 quando no hotel, Gloria, cansada de insistir para que Rodolfo imponha mais limites entre ele e sua ex-mulher que liga constantemente, decide ir embora e \u00e9 impedida pelo parceiro. Na esperan\u00e7a de que ele n\u00e3o a deixasse ir embora, Gloria espera que ele toma uma \u00faltima atitude, o que acontece quando ele a chama momentos antes dela abrir a porta. A sequ\u00eancia, embora tenha um teor de clich\u00ea, se desenvolve de maneira muito honesta com a trajet\u00f3ria dos personagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos t\u00eam bagagem, j\u00e1 passaram por poucas e boas e, querendo ou n\u00e3o, est\u00e3o em territ\u00f3rio novo. Tudo \u00e9 diferente nesta idade, principalmente o amor e o sexo por terem que se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as que eles n\u00e3o t\u00eam controle: do corpo f\u00edsico e emocional. No chamado de seu nome, Gloria fica completamente despida na frente de seu parceiro, como se suplicasse ao mesmo tempo que o desafia a enxerg\u00e1-la exatamente como ela exatamente \u00e9 e se apaixonasse por isso. \u00c9 isto o que sou e tenho para oferecer. Eu estou aqui, sem barreiras, sem medo. N\u00e3o \u00e9 muito, mas se vier comigo teremos muito a viver. O corpo \u00e9 a porta de entrada para algo muito maior e engrandecedor que o sentimento sexual. \u00c9 a imposi\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/OBjFV4V5-wORDbma3HPHfdagx1Vc0bsSIwOvIUpMtR3k6DS8jtb5EkrSUqMDg8ArMOyoSfdzKIciPDxAAmLIXAI0JnTi2c9w9EidT7oUWDqBRLjwaVqfIhY741KD9vz2RloldcPw\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante pensar como o filme n\u00e3o recua na hora de mostrar a verdade nua e crua. Literalmente. Apesar de normal, a imagem de um casal desta idade exibida de forma t\u00e3o exposta, sem pudor, \u00e9 chocante aos olhos do conservadorismo ainda atual. Quantas vezes o cinema mostra uma mulher nesta idade completamente nua? Pois \u00e9, d\u00e1 para contar nos dedos. Ainda mais se tratando de uma mulher que n\u00e3o necessariamente tem algo a dizer, que tenha vivido uma grande trag\u00e9dia ou transformado o mundo. Ela \u00e9 normal. E \u00e9 esse realismo, com todas as suas falhas, que aproxima a normalidade dessa vida do p\u00fablico. Em <em>Gloria<\/em>, portanto, o jogo parece virar e a vida sexual dos dois \u00e9 representada de forma corriqueira e natural, como \u00e9 quando um casal est\u00e1 a se conhecer. H\u00e1 as inseguran\u00e7as do in\u00edcio, como quando Rodolfo se envergonha da necessidade de usar uma cinta, mas h\u00e1 tamb\u00e9m a excita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Debru\u00e7ado na mesma linguagem realista e humanizadora, com planos m\u00e9dios quase que m\u00e9tricos, o diretor retrata os encontros sexuais de forma que eles preenchem a tela, assim como est\u00e3o preenchendo a alma dos personagens naquele momento, evidenciando a intimidade entre os corpos, sua movimenta\u00e7\u00e3o e toque. Tudo na obra est\u00e1 completamente a servi\u00e7o da personagem e somente dela. Nem mesmo os detalhes sobre outras figuras s\u00e3o t\u00e3o relevantes. O que importa \u00e9 como Gloria se relaciona com as figuras e espa\u00e7os da sua vida e o que eles tiram e exaltam dela, quais sentimentos eles a fazem sentir. As insinua\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas sutilmente, o que provoca o espectador a estar sempre atento aos maneirismos, posturas e emo\u00e7\u00f5es da personagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/k2KdS_1K8jg0BS3hbEopXyqND3arv0OBXKcG33FA6RVEB9yACGxymZIyPSljQCgMHWhHAhTP9DX6GEliKId7qZ00k836PbUkYl8oCux3OiX39CsZa-7VyoazsBhylqzdzJPKt5g7\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de ser considerado por muitos como um erro de roteiro, pois n\u00e3o h\u00e1 exatamente um desenvolvimento, a inser\u00e7\u00e3o de um pano de fundo s\u00f3cio pol\u00edtico chileno reflete essencialmente na constru\u00e7\u00e3o da personagem. \u00c9 interessante pensar como uma mulher como Gloria, de classe m\u00e9dia contempor\u00e2nea e que n\u00e3o passou por nenhuma grande trag\u00e9dia na vida, transita por este mundo pautado por reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas por parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o em um pa\u00eds que enfrentou governos ditatoriais &#8211; durante o qual a personagem estaria no auge dos tempos joviais. Durante um almo\u00e7o, ela e um grupo de amigos discutem a situa\u00e7\u00e3o atual do Chile e como as coisas n\u00e3o s\u00e3o como antes, interferindo no patriotismo e amor ao local. Em um dado momento, um dos amigos afirma: \u201cPrecisamos olhar para os jovens\u201d. Esse paralelo, apesar de secund\u00e1rio, consegue elevar a personagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/lwO6fi9ecuNgkzFxawpUa-k9BwW90VwPFQypqmBcnkrmwMYFclr-KITLXjPYxcT5gBkldZrI_IccyDdv0teUUbcQbSHBfk58NLGrYYrNMNXxceWrpI_-L6FnVcWW83Z1kvEw5GLH\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de afirmar esse olhar da protagonista para os sentimentos da juventude, dessa constante manuten\u00e7\u00e3o da jovialidade da vida, essa rela\u00e7\u00e3o simboliza que, n\u00e3o importa o momento da vida, sempre haver\u00e1 algo para lutar, seja ela por uma conquista pessoal ou coletiva. H\u00e1 sempre a busca por uma idealiza\u00e7\u00e3o que talvez nunca chegue, mas que a perseveran\u00e7a n\u00e3o a deixa parar de seguir pelo caminho da manifesta\u00e7\u00e3o &#8211; que propositalmente, tal qual a vida, \u00e9 muitas vezes representada pelos novos. Se for ainda analisar para al\u00e9m de um simbolismo mais po\u00e9tico, pode-se entender que o diretor buscou apontar como as atitudes militantes diante do mundo atual permitiu a revolu\u00e7\u00e3o sexual, evidenciada pela personagem sempre que esta tem a liberdade de dormir com quem quiser, quando quiser e n\u00e3o ser julgada por isso. Foi, al\u00e9m de tudo, uma maneira perspicaz de ainda reafirmar, como dito acima, o tempo-espa\u00e7o de Gloria dentro de um contexto recente.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da trama, o conceito de juventude e suas expectativas s\u00e3o constantemente colocados em paralelo com a realidade atual da personagem, mesmo que outrora mais sutil. Enquanto Rodolfo se declara para Gloria com uma declama\u00e7\u00e3o de um poema lido em um livro, o namorado da filha manda um email apaixonado. Apesar de reconhecer que n\u00e3o compreende o mundo da internet, a personagem se volta apenas para o sentimento expressado em total idealiza\u00e7\u00e3o do rom\u00e2ntico. Mais uma vez, o roteiro, al\u00e9m de contestar a ideia de que n\u00e3o existem novos amores fabulosos na terceira idade, afirma que algumas coisas sempre ser\u00e3o as mesmas, independente de forma ou idade. Na mesma moeda, a m\u00fasica do filme tamb\u00e9m \u00e9 aliada na constru\u00e7\u00e3o do roteiro e, sobretudo, da personalidade da personagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As can\u00e7\u00f5es clich\u00eas de romance marcam a t\u00f4nica da trilha sonora do longa, o que acaba por evidenciar essa incessante idealiza\u00e7\u00e3o do amor rom\u00e2ntico. Seja em casa ou dentro do carro, Gloria sempre parece tra\u00e7ar uma liga\u00e7\u00e3o com as letras mais tristes e melosas que est\u00e3o tocando no momento da r\u00e1dio. Elas representam a sua vontade de ter uma segunda chance de viver um grande amor, um que corresponda \u00e0s suas novas perspectivas de mundo ap\u00f3s ter vivido um casamento que n\u00e3o deu certo e com certeza n\u00e3o foi o que ela havia imaginado. Ademais, a m\u00fasica ganha um significado ainda mais potente quando manifestada nos passos de dan\u00e7a. Convicta, quando envolta pelo ritmo da m\u00fasica, a liberdade toma conta da personagem, como se o controle que ela tem no que diz respeito ao futuro que almeja ganhasse vida e se deslocasse com confian\u00e7a, mesmo que por dentro o medo da solid\u00e3o e da desilus\u00e3o estivessem presentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/eBWmzYltOWpU6SCzqgP9ynZqRHAIm1gFvS2CHbMdmXJhBEza9CjK-pEeF8SzATqcSM0WlkNcih7OlaHVlPLZ0zOyoh7H85qlCcBlE8HR8FV0dRh5jvU8TWrwHpsMcJHJfTbE5hr0\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da dan\u00e7a, ela consegue manifestar tenazmente a libido, a sensualidade, a felicidade, o prazer. A dan\u00e7a a faz sentir viva e por isto capaz de viver nos seus termos: ao mesmo tempo com o controle e a liberdade dos passos da coreografia. Essa dualidade entre a entrega e o controle do desenrolar dos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos est\u00e3o em confronto o tempo inteiro. Se no in\u00edcio h\u00e1 essa tentativa &#8211; imposs\u00edvel &#8211; de dominar as ocorr\u00eancias da vida, enquanto simultaneamente se disp\u00f5e a encarar perip\u00e9cias, ao fim a personagem j\u00e1 assume uma postura mais desprendida ao perceber que \u00e9 preciso afrouxar os n\u00f3s e deixar a vida seguir o fluxo que lhe \u00e9 determinado, de modo a se entregar \u00e0s situa\u00e7\u00f5es sem ter um manual de quais posturas assumir.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A personagem percebe que, no fim, n\u00e3o adianta nada o pragmatismo na conquista das suas expectativas: por mais que ela decida ir aos bailes, dan\u00e7ar com um homem por ach\u00e1-lo um bom candidato para suprir os seus desejos, t\u00eam coisas na vida que est\u00e3o fora de qualquer controle e que n\u00e3o dizem a respeito a ela, vide os problemas de Rodolfo com as filhas e a ex-mulher, motivo pelo qual eles se separam. Afinal, \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla. Quando ocorre o t\u00e9rmino, Gloria come\u00e7a a se conscientizar de que o romance \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla e n\u00e3o h\u00e1 assertividade capaz de ir contra a imprevisibilidade da vida, desprendendo-se das proje\u00e7\u00f5es, grandes planos ou controle do futuro e de atitudes alheias: o instante do momento passa a valer mais do que as consequ\u00eancias para o futuro. Ela est\u00e1 livre para viver o que surgir no seu caminho, sem grandes expectativas, com a certeza de que \u00e0s vezes a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 abrir m\u00e3o do que n\u00e3o soma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as sequ\u00eancias finais, duas grandes cenas se destacam e representam muito bem essa corda bamba que a personagem tenta se equilibrar. A primeira, um dos poucos momentos em que a fotografia assume uma ousadia psicol\u00f3gica com tons mais azulados, exibe Gloria, na companhia de um homem que conheceu em um cassino, a girar em um brinquedo infantil. A c\u00e2mera girat\u00f3ria acompanha os seus movimentos, sempre com enfoque no semblante, exprimindo esse descolamento da personagem na vida. Ela se sente como se estivesse flutuando pelo ch\u00e3o, com os bra\u00e7os abertos e pronta para voar. \u00c9 uma forma po\u00e9tica de dizer que ela est\u00e1 se desprendendo de tudo. Depois desse momento, todas as atitudes da personagem n\u00e3o parecem mais t\u00e3o calculadas. Ela cede \u00e0s suas emo\u00e7\u00f5es e age de acordo com elas, independente do resultado. Com raiva, ela decide atirar com a arma de paintball no ex-namorado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/JR6JK1jCrcqg440ToQ-BEflq_Xk6SZBxYe126YHxiQI_1Wld_Eq5E8hjpDsH5Mvhhy5HiWSfPhOX8SBOT-MoaMNVyLGrY0q4P6W0vpXy1cBat7dVeh1yzTJ_0nPaVj9zfqB_KaKY\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa linguagem cinematogr\u00e1fica, no entanto, s\u00f3 \u00e9 potencializada pela interpreta\u00e7\u00e3o da atriz Paulina Garcia. Com seus \u00f3culos de grande arma\u00e7\u00e3o, que intensifica o penetrante olhar dos seus pequenos olhos, Garcia consegue de forma \u00edmpar dizer muito ao mesmo tempo que nada diz. Seu sil\u00eancio \u00e9 grandioso e com apenas o controle feroz das suas express\u00f5es faciais consegue transparecer as emo\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas e vigorosas da personagem. Em uma das cenas mais rom\u00e2nticas do filme, na qual Rodolfo l\u00ea um poema para Gloria e j\u00e1 citada acima, a atriz, evidenciada pela c\u00e2mera do in\u00edcio ao fim da sequ\u00eancia em um plano americano, desnuda-se sem temer diante do espectador, que se depara com um semblante expressivo do turbilh\u00e3o crescente de emo\u00e7\u00f5es que a personagem vive. N\u00e3o \u00e0 toa em nenhum momento \u00e9 mostrado o rosto de Rodolfo durante a recita\u00e7\u00e3o. Afinal, o que mais precisava ser visto al\u00e9m da entrega vulner\u00e1vel desta mulher que, depois de tanta busca, est\u00e1 se entregando \u00e0 sua primeira fa\u00edsca de esperan\u00e7a?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/qm-L5CpvuE6XaRiNVotaSH39f2ixQq5zzXeqWS9zdY_gb0GWFS0TfjDB0tzp_h9LVkiH4rP0ugdC_pofgn-QXJVJ_Rm8lrKT05ZfJdMtKzsPHZenI19gfSXPVMHCmFobmC_ouVRx\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na companhia visceral de Paulina Garcia a trajet\u00f3ria de Gloria se torna revigorante no tempo-filme do espectador. Diante da grande tela, o espectador acompanha o crescimento oscilante desta personagem. Gloria come\u00e7a presa com um sonho idealizado de vida que paradoxalmente tenta obter desprendidamente e termina com a maior revela\u00e7\u00e3o que qualquer um, arrisco dizer, poderia ter, apesar das decep\u00e7\u00f5es vividas. Ao som de Gloria, na vers\u00e3o original italiana na voz de Umberto Tozi, a personagem percebe que dan\u00e7ar sozinha \u00e0s vezes \u00e9 a chave para ser feliz. O parceiro de dan\u00e7a, logo, \u00e9 apenas um subcap\u00edtulo na vida que vem a seguir. Talvez, na pr\u00f3xima vez que algu\u00e9m perguntar <em>\u201cVoc\u00ea \u00e9 sempre feliz assim?\u201d<\/em>, ela possa, enfim, dar uma resposta diferente da que deu para Rodolfo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De forma crua e honesta, Sebasti\u00e0n Lelio apresenta uma raridade em meio \u00e0 romantiza\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o da mulher no cinema: Gloria, uma personagem de meia idade que n\u00e3o se entrega a solid\u00e3o e abra\u00e7a sua liberdade sexual e individual 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