{"id":14742,"date":"2018-12-07T15:00:58","date_gmt":"2018-12-07T18:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=14742"},"modified":"2019-04-15T18:42:00","modified_gmt":"2019-04-15T21:42:00","slug":"critica-we-have-always-lived-in-the-castle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-we-have-always-lived-in-the-castle\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Sempre Vivemos no Castelo (We Have Always Lived in the Castle) [2018]"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Hoje, quando se trata de gelar espinhas, os espectadores parecem valorizar os picos de p\u00e2nico e se agitar sobre a quest\u00e3o psicol\u00f3gica. Isso n\u00e3o parou os cineastas que, a cada poucas d\u00e9cadas, revivem as obras da romancista Shirley Jackson. Suas hist\u00f3rias falam com um lado mais sombrio da humanidade.<strong> Stacie Passon<\/strong>, diretora de <em><strong>We Have Always Lived in the Castle<\/strong><\/em>, canaliza agudamente a atmosfera de pavor, paranoia e isolamento da autora, fazendo com que o passado pare\u00e7a presciente.Centrado em uma fam\u00edlia peculiar, envolta em um ar de mist\u00e9rio g\u00f3tico, a adapta\u00e7\u00e3o de Stacie Passon de&nbsp;<em><strong>We Have Always Lived in the Castle<\/strong><\/em> \u00e9 t\u00e3o igualmente sinistra quanto desconcertante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Merricat (Taissa Farmiga)<\/strong>, <strong>Constance (Alexandra Daddario)<\/strong> e seu tio <strong>Julian (Crispin Glover)<\/strong> vivem isolados, banidos pelas pessoas da vizinhan\u00e7a logo ap\u00f3s passarem por uma trag\u00e9dia familiar seis anos antes. Quando um h\u00f3spede n\u00e3o anunciado amea\u00e7a sua morada, conota\u00e7\u00f5es mais profundas por tr\u00e1s da afli\u00e7\u00e3o dolorosa da fam\u00edlia s\u00e3o reveladas lentamente. Com uma est\u00e9tica fortemente enigm\u00e1tica e uma mensagem subliminar que vai muito al\u00e9m da superf\u00edcie, <em>We Have Always Lived in the Castle<\/em> n\u00e3o se trata de uma adapta\u00e7\u00e3o usual onde o diretor otimiza sua liberdade criativa. \u00c9, no entanto, uma tradu\u00e7\u00e3o de verdadeira fidelidade a diretora desejou que fosse. Tudo para coincidir com o mundo liter\u00e1rio escuro e caprichoso de Shirley Jackson.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"527\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS2.jpg?resize=790%2C527&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-14744\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS2.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS2.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS2.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS2.jpg?w=1499&amp;ssl=1 1499w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de um emparelhamento de espet\u00e1culos incomuns, os temas de agorafobia e abuso sexual s\u00e3o examinados de perto quando Merricat relata os eventos atormentados que cercam a chegada de seu primo <strong>Charles (Sebastian Stan)<\/strong>. Tendo sido confinado \u00e0s quatro paredes de sua luxuosa casa devido aos segredos sombrios da fam\u00edlia, o longa brinca com as ideias de ansiedade, tormento, trauma e a ternura e conex\u00e3o da irmandade que os ajudou a sobreviver. Ligadas pela dor e ang\u00fastia compartilhadas, as irm\u00e3s desta hist\u00f3ria sentem que o mundo al\u00e9m do jardim est\u00e1 &#8220;cheio de pessoas terr\u00edveis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteirista <strong>Mark Kruger<\/strong> \u00e9 parte fundamental para o trabalho de conciliamento com o livro. O trabalho de Jackson \u00e9 uma hist\u00f3ria simples, com articula\u00e7\u00e3o formal que pode, \u00e0s vezes, ser lida como um romance para crian\u00e7as, mas que ainda melhora \u00e0 eufemismos a Nova Inglaterra dos anos sessenta que revive no papel. Kruger mant\u00e9m isso &#8211; Merricat narra o filme para permitir que as palavras po\u00e9ticas de Jackson sejam ouvidas &#8211; e isso pode levar os que n\u00e3o est\u00e3o familiarizados com o romance a achar o caso todo frio demais para o cinema. Farmiga recria Merricat como uma garota que, apesar dos dezoito anos, aparece notavelmente mais jovem com suas tran\u00e7as e express\u00e3o de olhos arregalados. \u00c9 um papel quase parecido com o <strong>Rhoda Penmark&nbsp; (Patty McCormack)<\/strong> em <strong><em>A Tara Maldita<\/em> (1956<\/strong>), mas com um cora\u00e7\u00e3o mais sombrio. Farmiga se dirige para a cidade, os olhos procurando como um rato em um labirinto. No entanto, ela \u00e9 uma garota dependente da supersti\u00e7\u00e3o inerente \u00e0s suas defini\u00e7\u00f5es de bruxaria &#8211; martelando livros em \u00e1rvores e enterrando moedas na esperan\u00e7a de que seus desejos, ou fantasias sombrias, se tornem realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O ofuscamento do filme \u00e9 not\u00e1vel. A todo momento flerta com a audi\u00eancia atrav\u00e9s de dicas e revela, mas nunca explica, a origem da disfun\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. E \u00e9 a escolha certa; o filme j\u00e1 expressa algo terr\u00edvel e escuro que aconteceu, e nossa imagina\u00e7\u00e3o pode preencher as lacunas tenebrosas do <em>storytelling <\/em>\u00edmpar da autora no sangue da adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"790\" height=\"527\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS1.jpg?resize=790%2C527&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-14743\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS1.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS1.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/CS1.jpg?w=1500&amp;ssl=1 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 surpreendente a execu\u00e7\u00e3o mistificadora de Passon dessa adapta\u00e7\u00e3o. Os temas que eram intang\u00edveis no texto s\u00e3o bem claros aqui. Enquanto o di\u00e1logo extenuante testa a dura\u00e7\u00e3o do foco de cada ato, sua mensagem predominante &#8211; a humanidade \u00e9 maligna e inerentemente m\u00e1 &#8211; e o ind\u00edcio de algo mais enigm\u00e1tico torna o filme muito perturbador ao que naturalmente deveria ser. Cr\u00e9ditos disso v\u00e3o diretamente para o visual, algo que sempre se encontrou na mat\u00e9ria-prima liter\u00e1ria de forma a construir novas interpreta\u00e7\u00f5es de um corredor ou uma janela aberta sob a vida das personagens e da fluidez de um roteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com o roteiro, \u00e9 dif\u00edcil se livrar da sensa\u00e7\u00e3o de que esse \u00e9 um tema de baixo or\u00e7amento que exige algo mais. A mans\u00e3o Blackwood n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o opulenta e intimidadora como se poderia suspeitar na obra original, e h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de pequenez em tudo, desde o conjunto de um ou dois interiores mostrados na cidade ou nos dois quartos da mans\u00e3o que s\u00e3o filmados. E enquanto Farmiga, Daddario e Stan trabalham, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o pensar sobre o que um or\u00e7amento maior e um elenco de primeira s\u00e9rie poderiam realmente ter feito com esse material.<\/p>\n\n\n\n<p><em>We Have Always Lived in the Castle<\/em> mostra o talento de Stacie Passon, e tanto Farmiga quanto Daddario s\u00e3o exemplares em pap\u00e9is que seriam dif\u00edceis de traduzir para fora da p\u00e1gina. Mas a falta de um significativo senso de prest\u00edgio associado ao material deixa o filme se sentindo como um filme medido para a televis\u00e3o com 90 inocentes minutos, quando poderia se alongar muito mais do que apenas a pressa que leva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quase definitiva captura poss\u00edvel da narrativa de Shirley Jackson para o 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