{"id":13229,"date":"2018-10-25T19:00:43","date_gmt":"2018-10-25T22:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/?p=13229"},"modified":"2019-02-09T16:06:50","modified_gmt":"2019-02-09T19:06:50","slug":"critica-a-maldicao-da-residencia-hill-the-haunting-of-hill-house","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cinematologia.com.br\/cine\/critica-a-maldicao-da-residencia-hill-the-haunting-of-hill-house\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | A Maldi\u00e7\u00e3o da Resid\u00eancia Hill (The Haunting of Hill House) [2018]"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\">Nota do Filme:<br><img data-recalc-dims=\"1\" width=\"790\" decoding=\"async\" height=\"60\" class=\"wp-image-12258\" style=\"width: 300px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?fit=790%2C60&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=4125&amp;ssl=1 4125w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=300%2C60&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=768%2C154&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?resize=1024%2C205&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=1580&amp;ssl=1 1580w, https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/nota45.png?w=2370&amp;ssl=1 2370w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><br><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><em>A Maldi\u00e7\u00e3o da Resid\u00eancia Hill <\/em>se trata de uma releitura do romance de mesmo nome<a href=\"#footnote-one\">[1]<\/a>, escrito por Shirley Jackson, publicado originalmente no ano de 1959. Na obra, acompanhamos a fam\u00edlia Crain, no presente e no passado, \u00e9poca na qual ainda se mudaram \u00e0 Resid\u00eancia Hill, a despeito dos rumores acerca de sua assombra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se, assim, que Mike Flanagan, criador, diretor, roteirista, produtor e editor da s\u00e9rie, busca recontar a cl\u00e1ssica hist\u00f3ria de um modo diferenciado. Ademais, aproveita a oportunidade para se utilizar de um m\u00e9todo narrativo mais inventivo, por meio do qual transita por diferentes per\u00edodos de tempo. N\u00e3o se trata, ressalta-se, de algo particularmente inovador, mas o modo como \u00e9 utilizado faz com que o espectador se sinta rapidamente imerso no conto.<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia Crain era composta por sete pessoas \u2013 o pai Hugh (Henry Tomas\/Timothy Hutton), a m\u00e3e Olivia (Carla Gugino), os filhos Steven (Michiel Huisman\/Paxton Singleton) e Luke (Oliver Jackson-Cohen\/Julian Hilliard) e as filhas Shirley (Elizabeth Reaser\/Lulu Wilson), Theodora (Kate Siegel<a href=\"#footnote-two\">[2]<\/a>\/Mckenna Grace) e Nell (Victoria Pedretti\/Violet McGraw) \u2013 e havia se mudado para a Resid\u00eancia Hill com o intuito de reform\u00e1-la e revend\u00ea-la, para que pudessem estabilizar a sua condi\u00e7\u00e3o financeira. Contudo, ap\u00f3s o aparente suic\u00eddio de Olivia, o n\u00facleo se desfez, incapazes de lidar com trauma, de modo que cada um acabou crescendo \u00e0 sua maneira.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"320\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/2-3-e1540436299751.jpg?resize=640%2C320&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13224\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a despeito de se tratar de um seriado de terror, faz-se necess\u00e1rio ressaltar que o foco da trama jamais \u00e9 a casa amaldi\u00e7oada, ou, ainda, os mist\u00e9rios que a permeiam. Ao contr\u00e1rio, a narrativa segue de maneira intensa a vida dos personagens que l\u00e1 viveram \u2013 sobretudo os descendentes \u2013 mostrando como essa assombra\u00e7\u00e3o agiu sobre cada indiv\u00edduo especificamente e, ainda, como reagem, de maneira individual, aos traumas dali decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, tem-se que <em>A Maldi\u00e7\u00e3o da Resid\u00eancia Hill<\/em> consegue construir, com maestria, cada um dos seus cinco protagonistas, sendo, talvez, um feito in\u00e9dito \u00e0 s\u00e9ries do g\u00eanero. Isto porque o roteiro disp\u00f5e, a todos, tempo de tela suficiente, de modo a torn\u00e1-los relacion\u00e1veis, cada qual com seus tra\u00e7os mais marcantes. Assim, \u00e9 percept\u00edvel que a sua caracteriza\u00e7\u00e3o cont\u00e9m grande delicadeza, fazendo com que pare\u00e7am quase reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse intuito, Mike Flanagan reserva os primeiros cinco epis\u00f3dios para abordar cada um dos filhos individualmente. Dessa maneira, a audi\u00eancia pode se conectar a cada um deles de forma quase imediata, o que solidifica, de modo competente, a \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d da audi\u00eancia com os personagens em tela.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"384\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/4-e1540436321782.jpg?resize=640%2C384&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13226\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O destaque varia, ao seu seu modo, posto que cada um conta com grande individualidade, sempre bem constru\u00edda e justificada. Nesse sentido, Steve se tornou um grande c\u00e9tico quanto ao sobrenatural \u2013 ou melhor, em suas palavras, quanto ao pr\u00e9-natural \u2013, Shirley se tornou extremamente controladora quanto a todos os aspectos de sua vida \u2013 pessoal e profissional \u2013, Theodora se retraiu, escondendo as suas emo\u00e7\u00f5es do mundo exterior \u2013 em suas palavras, atr\u00e1s de um muro por ela constru\u00eddo \u2013 e Luke buscou aliviar a pr\u00f3pria dor por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de drogas, principalmente hero\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>Nell, por sua vez, jamais conseguiu lidar com os traumas de seu passado, sentindo-se amaldi\u00e7oada \u2013 sobretudo pela Mo\u00e7a do Pesco\u00e7o Torto \u2013 onde quer que fosse. Desse modo, representa a exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, uma vez que, ao n\u00e3o conseguir superar os seus dias na Resid\u00eancia Hill, acaba por tirar a pr\u00f3pria vida, motivo pelo qual se torna, ela pr\u00f3pria, o catalisador para o encontro dos irm\u00e3os sobreviventes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o reservados, aos pais, epis\u00f3dios espec\u00edficos, mas isso n\u00e3o retarda o seu grande desenvolvimento. Olivia, matriarca, foi extremamente afetada pela sua viv\u00eancia na casa. Assim, por meio das se\u00e7\u00f5es narrativas que abordam aquele determinado per\u00edodo de tempo, os espectadores veem a personagem definhar de maneira constante e gradual. At\u00e9 mesmo algo doce como o desejo de uma m\u00e3e pelo bem estar de seus filhos \u00e9 corrompido, transformando-se em algo destrutivo que, eventualmente, resulta em sua pr\u00f3pria morte, trag\u00e9dia que afastaria seus entes queridos do local at\u00e9 os eventos envolvendo a sua filha ca\u00e7ula.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, temos Hugh, o patriarca da fam\u00edlia, mais velho e solit\u00e1rio que nunca. Seu desespero por manter a seguran\u00e7a dos filhos foi o que resultou na sua separa\u00e7\u00e3o, uma vez que jamais pode ser honesto com eles acerca dos acontecimentos na casa. Por mais que tenha n\u00edtida dificuldade em falar acerca do que ocorreu no fat\u00eddico dia, a audi\u00eancia percebe com clareza a sua tentativa de n\u00e3o repetir os erros do passado e, assim, tentar reunir o que sobrou de seus descendentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"640\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/5-2-e1540436325690.jpg?resize=640%2C640&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13227\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a hist\u00f3ria se mant\u00e9m s\u00f3lida no decorrer de seus dez epis\u00f3dios. Em aproximadamente 10 horas de dura\u00e7\u00e3o, os conhecidos <em>jump scares<\/em> s\u00e3o utilizados com parcim\u00f4nia, de modo que a tens\u00e3o e o terror decorrem, majoritariamente, da rela\u00e7\u00e3o interpessoal de todos os envolvidos, o que evidencia o excelente controle narrativo por parte de Mike Flanagan.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se, ainda, o excelente trabalho dos atores e atrizes da obra. Com desenvoltura natural, todos se sobressaem, \u00e0 sua maneira, de modo que a saga tem excepcional fluidez. Esse fator, destaca-se, n\u00e3o se limita ao elenco principal, uma vez que os coadjuvantes representam seus pap\u00e9is com maestria, ajudando a elevar a hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, as crian\u00e7as merecem especial men\u00e7\u00e3o nesse quesito. Isto porque, n\u00e3o raramente produ\u00e7\u00f5es audiovisuais se utilizam de int\u00e9rpretes mais jovens, com o intuito de trazer um toque de inoc\u00eancia \u00e0 narrativa, o que pode afetar a qualidade do conto como um todo. Isto porque, at\u00e9 mesmo pela idade, tem-se como mais dif\u00edcil fazer com que sigam instru\u00e7\u00f5es e se atentem ao roteiro. Aqui, por\u00e9m, todos apresentam habilidades acima da m\u00e9dia, em nada devendo aos colegas mais experientes<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"360\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/6-1-e1540436436319.jpg?resize=639%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13228\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, espa\u00e7o para excel\u00eancia t\u00e9cnica. O modo como o seriado \u00e9 filmado demonstra o grande cuidado envolvido, sobretudo na edi\u00e7\u00e3o, motivo pelo qual a transa\u00e7\u00e3o temporal jamais chega a afetar a hist\u00f3ria de maneira negativa, o que apenas demonstra a expertise de Mike Flanagan com o g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa seara, imposs\u00edvel n\u00e3o mencionar o incr\u00edvel feito realizado no epis\u00f3dio seis, uma vez que composto por apenas cinco tomada. Desse modo, o diretor aproveita os longos <em>takes<\/em> \u2013 o maior com mais de dezessete minutos \u2013 para aumentar a tens\u00e3o do conto de maneira exponencial, enriquecendo a experi\u00eancia como um todo, de uma maneira que poucas s\u00e9ries<a href=\"#footnote-three\">[3]<\/a> conseguem.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cinematologia.com.br\/cine\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/1-4-e1540436294207.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-13223\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, importante destacar o qu\u00e3o cat\u00e1rtico \u00e9 o final da temporada. Isto \u00e9, por mais que restem algumas pontas soltas, a obra consegue, de maneira satisfat\u00f3ria, solucionar os seus n\u00facleos principais, sem jamais se desviar do seu foco original, qual seja, a rela\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Crain para com a Resid\u00eancia Hill.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, <em>A Maldi\u00e7\u00e3o da Resid\u00eancia Hill<\/em> \u00e9 uma das melhores obras recentes do g\u00eanero. Com ela, Mike Flanagan, solidifica o seu nome como um dos expoentes do terror\/suspense, superando suas obras anteriores como <em>O Espelho<\/em>, <em>Hush \u2013 A Morte Ouve <\/em>e <em>Jogo Perigoso<\/em>, longas que, inclusive, contam com a presen\u00e7a de muitos dos atores e atrizes do novo seriado. Tem-se, ent\u00e3o, uma s\u00e9rie que vive \u00e0 expectativa, satisfazendo f\u00e3s da hist\u00f3ria original ao mesmo tempo em que se faz atrativo a novos espectadores.<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p><a id=\"footnote-one\"><\/a>[1] Essa igualdade acerca dos nomes diz respeito \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o original, em ingl\u00eas. O livro foi traduzido para \u201cA Assombra\u00e7\u00e3o da Casa da Colina\u201d. Explica-se que, por se tratar de uma releitura, Mike Flanagan optou por introduzir a fam\u00edlia Hill como propriet\u00e1ria original da casa, motivo pelo qual, no seriado, n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o da palavra \u201chill\u201d para \u201ccolina\u201d, uma vez que se trata de um sobrenome.<\/p>\n<p><a id=\"footnote-two\"><\/a>[2] Kate Siegel \u00e9 casada com Mike Flanagan desde 2016.<\/p>\n<p><a id=\"footnote-three\"><\/a>[3] A t\u00edtulo exemplificativo, Mr. Robot usou a abordagem single take em um de seus epis\u00f3dios da terceira temporada \u2013 S03E05 (eps3.4_runtime-err0r.r00).<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Maldi\u00e7\u00e3o da Resid\u00eancia Hill se trata de uma releitura do romance de mesmo nome[1], escrito por Shirley Jackson, publicado originalmente no ano de 1959.&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":72,"featured_media":13232,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9,537],"tags":[2638,362,15,288],"class_list":["post-13229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-critica","category-lancamentos","tag-mike-flanagan","tag-serie","tag-suspense","tag-terror"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - 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