DIZER QUE NEVE NEGRA É O MAIOR FILME ARGENTINO DE 2017 É NO MÍNIMO EXAGERADO

O argentino Neve Negra chegou aos cinemas brasileiros com um material de marketing que prometia entregar o maior filme produzido por nossos hermanos em 2017. Bem, essa não poderia ser uma colocação mais exagerada. A história acompanha Marcos (Leonardo Sbaraglia) em seu retorno à Argentina após o falecimento de seu pai. Ao lado da esposa grávida (Laia Costa), o personagem de Sbaraglia acaba tendo de confrontar uma tragédia familiar quando uma mineradora oferece uma verdadeira bolada por um terreno da família na Patagônia. Nesse contexto, cabe a Marcos convencer seu irmão Salvador (Ricardo Darín) a deixar o local onde vive isolado desde que o irmão caçula deles morreu durante uma caçada 30 anos atrás. O reencontro acaba mexendo em antigas feridas que não cicatrizaram e provocando relativa tensão.

Não que o suspense dirigido por Martin Hodara (sete anos depois de O Sinal) e encabeçado por Darín (O Segredo dos Seus Olhos), Sbaraglia (Relatos Selvagens) e Costa (Victoria) não tenha seus méritos. A fotografia de Arnau Valls Colomer explora bem a atmosfera inóspita e áspera que permeia a narrativa. Da mesma forma a câmera de Hodara se movimenta de maneira elegante pela ação. A estratégia de alternar momentos presentes da narrativa com flashbacks dentro de um mesmo plano, através de uma câmera ativa, é interessante mesmo que se torne repetitiva ao decorrer dos pouco mais de 90 minutos de projeção. Há até uma tomada aérea de uma estrada que imediatamente remete ao clássico O Iluminado, de Stanley Kubrick.

Contudo, o roteiro escrito por Hodara e Leonel D’Agostino aposta todo seu potencial para produzir suspense em quebra-cabeça de lembranças ao qual o espectador mais atento conseguirá solucionar muito antes do desfecho, que deveria revelar as razões por trás de todos os conflitos daquela história de maneira avassaladora. Mesmo que exista um impacto inerente à descoberta, não é bem assim que a banda toca. Ainda assim, o talento de seus três protagonistas consegue manter o público instigado por esse thriller sobre as manifestações da maldade humana através de violência e mentiras. Inclusive, o final consegue encontrar certo lampejo de brilhantismo ao mostrar que a segunda opção pode ser tão escrota quanto à brutalidade cometida em si.

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