Crítica | The Cloverfield Paradox

O terceiro filme do universo Cloverfield já surpreendeu pela forma como foi lançado. O projeto – sob o título God Particle-, vinha ganhando corpo pelas sombras, sem muitas notícias acerca da produção. Entretanto, durante o intervalo do  Super Bowl 52 (dia 04), a Netflix não só anunciou o trailer e o título oficial, mas também revelou que o longa estaria no catálogo em poucas horas. Parece que a vitória do Eagles não foi a única surpresa daquela noite. O serviço de streaming também havia preparado uma.

Dirigido pelo desconhecido cineasta Julius Onah, e com produção de J.J Abrams, The Cloverfield Paradox dá sequência à franquia iniciada em 2008, com Cloverfield – filme no qual uma criatura gigante invade Nova York. Nesta terceira estória, um grupo formado com cientistas de diversos países precisa encontrar uma solução para a falta de energia na Terra. A missão consiste em ativar um acelerador de partículas em órbita, que será capaz de gerar energia o suficiente para salvar o planeta. Contudo, após uma tentativa de ativação, a nave é transportada para um universo paralelo. Diferente dos outros dois filmes, os acontecimentos deste antecedem a aparição das famosas criaturas da saga. Desta vez, o foco está na crise de energia e como isso pode acarretar em uma Terceira Guerra Mundial.

O primeiro Cloverfield optou por uma trama sustentada pelo estilo found footage. A sequência de 2016 , Rua Cloverfield, 10, explorou a ideia de confinamento em um bunker. Já este terceiro, reúne elementos de obras espacias como Alien, O Oitavo Passageiro (1979), Enigma do Horizonte (1997) e Esfera (1998). Durante os 102 minutos, não há nada muito além do que já foi visto nesses três filmes mencionados.

O primeiro ato, parte mais consistente de todo o roteiro, consegue convencer o espectador da necessidade da missão e transmitir um clima condizente entre os cientistas. O texto começa a pecar após o primeiro ponto de virada, quando o filme cria uma série de mistérios distintos e depois não se preocupa muito nas soluções para cada um deles – característica muito ligada ao produtor J.J Abrams, que de vez em quando derrapa nesse ponto. Alguns desfechos são preguiçosos e outros deixam mais interrogações do que pontos finais – este segundo até é justificável dentro da lógica de uma franquia. Em alguns momentos, ficamos perdidos ao tentar definir por qual caminho a trama está tentando ir.

O longa também tem problema em definir um antagonista. Quando começa a desenvolver o provável vilão, passa a função adiante, dificultando o entendimento do público, que não consegue descobrir qual é realmente a maior ameaça.

 

Para piorar a situação, alguns diálogos e a maioria das atuações não convencem. Nem o grande ator Daniel Brühl consegue salvar o elenco do desastre. Alguns personagens reagem de maneira frustrante a acontecimentos incomuns. Após participarem de cenas com situações que desafiam a lógica, logo são vistos como quem está em uma rotina entediante de trabalho. Além disso, muitos deles tomam atitudes burras e incoerentes, para forçar o desenvolvimento do clímax.

Algumas escolhas da direção também desagradam os olhos. O uso de plano holandês, geralmente utilizado no cinema para causar a sensação de instabilidade, é executado em excesso. Parece que o diretor descobriu a técnica recentemente e quer mostrar que sabe usá-la. Os longos corredores da nave, que poderiam ser um ponto a favor da lente, são pouco explorados, limitando a maioria dos planos a locais cheios de monitores e botões. O exterior da estação, quando mostrado, raríssimas vezes opta por planos gerais ou grandes planos gerais, o que poderia ajudar no contexto em que os personagens estão inseridos.

The Cloverfield Paradox acaba sendo o pior filme da trilogia. Um desperdício para uma franquia com potencial. Se a Netflix tem culpa, não há como saber.  E como o quarto longa já está confirmado, seria bom se não seguisse a fórmula deste último.

 

 

 

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